CITRICULTURA

O mercado de exportação do suco de laranja

O representante da CitrusBR - Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos, Ibiapaba Netto abordou o tema "Desafios da promoção de suco de laranja no mercado mundial” durante a 39ª Semana da Citricultura

Edição 200 | Limeira, Julho de 2017 | Ano XII

Ibiapaba Netto

Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBr, apresentou diagnóstico sobre as exportações de suco de laranja

Nos Estados Unidos, o suco natural de laranja entrou no cardápio dos americanos com a segunda guerra mundial pois, era servido aos soldados como fonte de alimento, ao contrário do Brasil que tem o hábito de consumir o suco de laranja apenas como um refresco e não como um alimento, esta observação foi feita por Ibiapaba Netto, representante da CitrusBr, durante o simpósio de economia e política realizado durante a 39ª Semana da Citricultura, na cidade de Cordeirópolis.

Focando o tema: “Desafios da promoção de suco de laranja no mercado mundial”, foi proferida pelo o jovem jornalista Ibiapaba, diretor-executivo da CitrusBR - Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos - entidade, que reúne as empresas Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus Commodities. As três companhias são responsáveis por 97% da produção de suco de laranja no Brasil e 98% das exportações. Resumindo dados de pesquisas realizadas em 10 países durante o ano de 2012, Ibiapaba, esclareceu que “8 países consumiam mal e outros 2 consumiam bem. A ideia era saber o que um estava fazendo errado e outro fazendo certo. Em 2012, buscamos experiências através das redes sociais, porque é muito mais produtivo o que você pergunta do que você promove, porque as respostas que as redes sociais fornecem são incríveis”. Tal diagnóstico foi apresentado em 2013, durante o Juice Summit, maior evento do mercado global de sucos, e originou a ideia do projeto de relações públicas internacional para promover e defender o suco de laranja de ataques, principalmente na Europa. “A partir daí, foi onde começamos a conversar com a Associação Europeia de Sucos de Frutas (AIJN, na sigla em francês) se íamos trabalhar em conjunto, pois, eles representam 25 companhias europeias. Não é uma discussão que se faz de um dia para o outro. Em 2014, foi decidido o projeto chamado ‘Fruit Juice Matters’”, uma campanha baseada em artigos científicos, revelou Ibiapaba.

A Campanha
De acordo com o representante da CitrusBr, “ela consiste, simplesmente, em compartilhar informações cientificas de qualidade e dos benefícios do suco de laranja, com formadores de opinião como cientistas, médicos, nutricionistas, jornalistas e consumidores, mostrando um histórico do que existe nesses artigos, dizendo que: sim! os sucos de frutas são saudáveis. Eles devem fazer parte da dieta das crianças, das pessoas e não sou eu quem está dizendo é a ciência que diz isso. Por alguma razão desconhecida, eles ficaram esquecidos nas gavetas dos departamentos de pesquisa e não chegou até a mídia, não chegou até o consumidor e estamos vendo o consumo de nosso produto desabar, deixando nosso mercado muito mais sensível a intempéries”, abordou.

Promovendo a campanha em 14 países (França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Espanha, Polônia, Portugal, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Áustria e Itália), mas o foco em 3 principais consumidores (França, Alemanha, Reino Unido), por ser equivalente a receber 80% do suco que vai pra toda Europa. “Essa campanha é financiada da seguinte forma: toda vez que se vende 1 tonelada de suco de laranja para o engarrafador, é colocado uma fatura de US$5 (cinco dólares - por conta do engarrafador), e na hora que se recebe o pagamento dessa venda, acrescenta-se US$5 (por conta da indústria); Para o (suco) NFC um dólar para cada lado; assim é formado um fundo, que no primeiro ano gerou a quantia de 5,600 milhões de dólares”, citou Ibiapaba. Para gerenciar esse fundo e conseguir coordenar as ações, foi criada uma espécie de empresa, que contratou 5 professores, de prestigiadas universidades pelo mundo, os quais já estudavam o suco de frutas há muito tempo. “Eles fizeram um painel, após revisão de todo o material que já tinham publicado, para podermos nos defender, se alguém visse contradizer o estudo e, poder promover nas oportunidades que vieram aparecendo. Criamos um banco de dados para compartilhamento, é livre para quem se interessar, de uma série de documentos para defender nossos produtos e também usarmos o material para participação em eventos” observou. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Palestrantes da 39ª Semana da Citricultura

Palestrantes da 39ª Semana da Citricultura, realizado na cidade de Cordeirópolis


Ações da campanha
“Na Alemanha, nosso principal mercado na Europa, foram feitas ações com influenciadores na internet, usando o material elaborado para atingir o público mais jovem que não lê jornal, além de campanhas nas rádios pelo interior da Alemanha. Já na França, fizemos algo grande quando participamos da Semana do Sabor, onde as escolas levam para dentro da sala de aula produtos, com explicações desde a sua origem até seus benefícios, ensinando seus alunos. Essas abordagens foram feitas para sensibilizar nosso público. No Reino Unido, foi feito uma abordagem especialmente focando profissionais da saúde, explicando como se metaboliza no organismo o suco de laranja frente a outras bebidas. Essa é uma estratégia parecida com a qual é usada pela indústria farmacêutica. Na Polônia, tínhamos certo receio por ser o maior produtor de maçã da Europa, e na época de entre-safra da laranja, o suco de maçã custa um terço se comparado ao de laranja. Lá foi feito um dos melhores trabalhos até agora, a divulgação foi através da participação em diversos eventos para profissionais da saúde, com a divulgação de material científico de suco 100% de laranja. São essas pessoas que vão falar para as mães dar suco para seus filhos. Na Bélgica, constatamos que muitos profissionais não sabiam distinguir suco natural, de néctar e refresco. O nosso dever, nossa obrigação é falar para essas pessoas que é diferente e apresentar as informações. Os resultados que obtivemos mostra que é possível, que conseguimos uma repercussão grande na mídia falando sobre suco de laranja. O fato é que precisa de maior frequência, mais recursos, mais investimentos nas ações, essa experiência mostrou o que dá e que a informação está chegando até os grandes veículos. Nossos próximos passos é algo que gerava dúvidas, que é a parceria entre produtores, indústria e engarrafadores. Apesar dos pesares, isso já está acontecendo. Nosso objetivo é ao longo dos próximos anos, levar o melhor da informação sobre suco de laranja para 30% da população europeia via redes sociais”, apontou Ibiapaba.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Planejar, saber o tamanho do parque (citrícola), ter a estimativa de safra e saber o que podem fazer com ela, olhar a demanda, e buscar um equilíbrio entre oferta (suco) e demanda (consumo), é um dos desafios, segundo Ibiapaba, “porque isso tem sangrado o setor nos últimos tempos, o importante de tudo isso é fazermos juntos, sentar numa mesa, a cadeia completa: produtores, indústria e engarrafadores, para que possamos buscar uma saída melhor pra todo mundo”, finalizou Ibiapaba.
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