EDUCAÇÃO

Aprendizagem baseadas em problemas e projetos: Práticas Inovadoras

Prof. Dr. Ulisses Ferreira de Araújo, USP. III Simpósio Internacional de Inovação em Educação, Unicamp.

Edição 184 - Dezembro 2015

O processo de aprendizagem como um todo vem sendo questionado há algum tempo
Plataforma Design Thinking: O processo de aprendizagem como um todo vem sendo questionado há algum tempo
O país traz índices altos de evasão escolar e mesmo falta de interesse dos jovens em continuar estudando. Um desafio e tanto formar pessoas para serem competitivas num mercado de trabalho tão restrito.

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades do Estado de São Paulo, foi inaugurada em 2005, onde uma das bases conceituais e metodológicas que sustentam esse novo projeto é o aprender fazendo. Uma faculdade com 10 cursos de graduação em áreas absolutamente diferentes desde sistemas de informação até gestão de políticas públicas, tudo numa única unidade, sem departamentos, com 260 professores e proposta interdisciplinar, ao mesmo tempo boa parte do currículo tem a aprendizagem baseada em problemas por projetos como uma referência importante. Onde os alunos de todos os cursos aprendem o desenvolvimento de projetos na comunidade, no entorno da USP Leste

Os alunos desenvolvem projetos com colegas que não conhecem, de áreas de conhecimento diferentes, aprende a problematizar a comunidade do entorno e buscar soluções para os problemas levantados a partir de um tema sugerido. Essa experiência já acontece em várias universidades do mundo, a Aprendizagem Baseadas em Problemas e Projetos: práticas inovadoras no ensino de graduação.

“Inicialmente era um Programa que envolvia várias Instituições e essa metodologia. Além desses cursos a USP desenvolveu tecnologias que desembocaram num Projeto Acadêmico dos cursos de graduação da Univesp", conta Prof. Dr. Ulisses Ferreira de Araújo, que implantou o sistema na USP. Trata-se de 12.000 vagas de licenciatura e ciências, 1.300 vagas de engenharia, todos têm aprendizagem baseadas por projetos ou uso de tecnologia com a Universidade Virtual, uma estrutura semi presencial.

Nativos Digitais
"Nunca aceitei que existem nativos e não nativos digitais na área de informática. O que existe são coisas intuitivas e coisas não intuitivas. Minha filha mexe com aparelho celular desde 1 ano de idade. Isso acontece não porque ela é nativa , nem porque domina outras linguagens e sim porque o aparelho faz sentido pra ela, através dos símbolos ela usa assim como meu pai de 80 anos também faz uso do WhatsApp. A questão é intuitividade. É intuitivo para as pessoas fazerem uso mesmo sem nunca terem usado. Essa é uma lógica que reflete os ambientes de aprendizagem. O que está por trás como princípios dos programas de aprendizagem em ambientes virtuais é o Blended - ambientes corporativos, aprendizagem baseada em problemas e projetos. Nos últimos 4 anos venho trabalhando com estratégias de design, especificamente o Design Thinking como ferramenta na formação de professores. Tem-se mostrado muito eficiente no trabalho de formação de professores", explica Ulisses.

O aprender fazendo é uma lógica que vem de muita divergência na área da educação. "Provavelmente todos que fizeram pedagogia, licenciatura, aprenderam primeiro a pensar e depois que se forma, aprende ser professor e se cursar uma escola ruim, será um péssimo professor. Na USP, partimos do princípio de que aprendizagem se dá na prática. Estou falando de ambientes corporativos, ou seja, hoje é preciso aprender trabalhar em equipe, por isso, a perspectiva de projetos na aprendizagem baseada em problemas como forma de conhecimento é prioritário. Todos os cursos que desenvolvemos, partimos do princípio de que alguns conhecimentos já estão culturalmente estabelecidos, científicos, sociais e que portanto, consegue levar educação de qualidade para o maior número de pessoas. Por exemplo, todos os nossos vídeos produzidos estão no YouTube com a lógica de ter o conhecimento como bem público, democratizando o acesso ao conhecimento de qualidade com os melhores professores das melhores instituições do Brasil, reduzindo custos na área da educação", explica.
Os ambientes colaborativos são criados virtualmente. São ambientes de aprendizagem através de projetos e Design Thinking . "Um exemplo é o curso de formação de professores da Univesp, dado início em agosto de 2014 ao mesmo tempo que os alunos estavam tendo letramento digital, língua portuguesa, os conteúdos através de vídeo aula, 4 disciplinas simultâneas, e tinham que desenvolver um projeto dentro da lógica do aprender fazendo", explica. A vídeo aula é um encontro semanal de 4 horas mediado por tutores, uma supervisora, um encontro presencial com grupos de 6 alunos.

No 1º Bimestre: alunos da universidade começaram construir uma página no Wikipedia, o tema Orquestra de Viola Caipira da minha região da baixa Mogiana e Circuito das Águas Paulista entrou no ar em português e inglês, alunos com letramento digital, só com conteúdo e o tema cultura brasileira (tema definido pela universidade). "A lógica por detrás de um currículo são exemplos reais de projetos nada centralizados, estamos falando de 2 mil alunos, 39 municípios, trabalho em equipe. Uma plataforma Terf-3D permite que os grupos de alunos, semana sim, semana não, tenham encontro presencial. Quando não, os grupos se encontram no ambiente virtual, através de uma plataforma absolutamente multimídia, como se o grupo estivesse no mesmo espaço, interagindo fazendo uso de qualquer instrumento do seu computador", explica.
O programa pode ser gravado para quem não estiver presente. Os alunos têm esse espaço da escola 24h , 7 dias por semana. Já o professor tem horário para entrar. "Posso criar quantas lousas quiser no ambiente virtual, pelo desktop vou compartilhando imagens, vídeos, entrevistas para todo o grupo ver. Cada grupo tem sua sala virtual específica. Posso decorar a sala virtual durante quatro meses. Nesse mesmo ambiente podemos sair da sala para um pátio onde a porta se fecha o som é isolado os demais do grupo não nos ouvem. Vejo entre nós e um avatar", conta.

A referência desse projeto são professores de Stanford, Estados Unidos, os quais fazem uso dessa plataforma pra desenvolver projetos com pessoas do mundo inteiro. "A educação precisa sair da teoria de que o foco é a aprendizagem do aluno. O foco precisa ser o desejo, a necessidade do aluno. O currículo construído dessa forma é capaz de manter disciplina, diminuir a violência na sala de aula, proporcionar saúde para o professor porque não estaria tentando ensinar o que o outro não quer aprender. O processo é a mediação", afirma.
A outra grande coisa desse processo é achar soluções para os problemas por menores que sejam. "Nós da área de humanas precisamos parar de só pensar nos problemas e dizer que o nosso problema quem tem que resolver é o outro", comenta. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Aprendizagem
Prof. Dr. Ulisses Ferreira de Araújo, USP

A plataforma Design Thinking apresenta 3 pressupostos. A primeira, está na dificuldade de ouvir. Saber ouvir a campo, sem metodologia, apenas com um tema. Isso é uma mudança radical na educação. Segundo, está em criar soluções através da interdisciplinaridade, envolvendo uma série de estudos sobre a problemática e viabilidade do projeto através de cálculo matemático. Até chegar num protótipo. Um processo de formação de pessoas, professores, o método. O terceiro, é implementar um projeto que seja viável, prático para a comunidade. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
“Buscamos ferramentas que vão promover a interação entre as pessoas no processo de aprendizagem, de forma que mesmo à distância possam co-construir, co-participar, não ficar num modelo passivo. Esse modelo leva os alunos entenderem que eles são atores desse processo, por isso o tema do Projeto tem que ser significativo. É um processo difícil para o professor que não tem o controle do que o aluno vai trazer do Projeto. O problema em mudar está no professor que não consegue imaginar o processo de aprendizagem numa outra perspectiva ", conclui. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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