CLIMA URBANO

O que importa na arquitetura é solucionar as exigências que cerca os indivíduos

Na arquitetura, busca-se o equilíbrio entre homem e ambiente

Edição 183 - Dezembro 2015

Helena Cristina Padovani Zanlorenzi
Helena Cristina Padovani Zanlorenzi, na arquitetura busca-se o equilíbrio entre homem e ambiente
Na programação do Simpósio de Arquitetura realizado pelo Grupo de Estudos “Luiz de Queiroz” (GELQ), na Esalq/USP, em Piracicaba, Helena Cristina Padovani Zanlorenzi, abordou o tema ‘conforto ambiental e sustentabilidade’. Recém finalizando um mestrado sobre clima urbano na Esalq, pelo departamento de recursos florestais, Helena é atuante profissionalmente na área de conforto ambiental, ou seja, o bem-estar térmico, acústico e iluminação, insolação e ventilação envolvendo a sustentabilidade, nas construções. “Na arquitetura, busca-se o equilíbrio entre homem e ambiente e, para chegar nesse ponto é preciso ter soluções sustentáveis” disse.

Falando para uma plateia de pouco mais de 20 pessoas, a maioria estudantes da área, Helena disse querer um impacto positivo no projeto arquitetônico desenvolvido e ter que se adequar as questões da sustentabilidade e da resiliência urbana às mudanças climáticas. “A resiliência é a capacidade das cidades de se adaptar às transformações, continuando com boa qualidade de vida. A cidade, o bairro, a quadra e o edifício interagem entre si e estão em constantes mudanças, são organismo vivos no ecossistema urbano, portanto pensar o projeto como a integração com o todo é essencial para a sustentabilidade”, disse.

A sustentabilidade através do tempo

Por volta da década de ’70, é que começaram as preocupações com os limites de crescimento das cidades. Foi a época que apareceram os edifícios envidraçados, sem a preocupação do projeto na economia de energia. Na década de ’80, a preocupação aumentou, sobre tudo com os resíduos sólidos. Passaram a reutilizar, reduzir, reciclar e tratar os resíduos industriais. Na década de ’90 o conceito de eco-eficiência, que é produzir mais com menor impacto ambiental, começou a ser difundido, “nessa década, foram tomadas atitudes que mais influenciaram significativamente nos projetos atuais e aumentou a freqüência dos encontros mundiais com temas voltados às mudanças climáticas e impactos sócio-ambientais”, segundo Helena. “Os encontros de sustentabilidade com lideres mundiais estipularam obrigações como moradias adequada para todos, desenvolvimento sustentável nos assentamentos humanos e cooperações internacionais, e posteriormente a Agenda 21 veio para garantir que pudessem ser implantadas as políticas de sustentabilidade”, explicou.

Citando o IPCC, que é o índice de mudanças climáticas mundiais, também um indicador que estimulou a criação de selos de sustentabilidade, indicou um dos mais famosos e muito criterioso em sua obtenção, o selo americano LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) sendo um sistema internacional de certificação e orientação ambiental para edificações, utilizado em 143 países, e possui o intuito de incentivar a transformação dos projetos, obra e operação das edificações, sempre com foco na sustentabilidade de suas atuações. “Esses selos visam premiar as construções que tem a preocupação com sustentabilidade. No Brasil temos o AQUA (Alta Qualidade Ambiental) foi desenvolvido pelos professores da Escola Politécnica da USP e Fundação Vanzolini. A certificação pode ser obtida em cada etapa do projeto ou obra, em maneiras diferentes de avaliações, para comércios, residência ou indústrias. Levam em conta reaproveitamento da água, de energia até destino que dão para o lixo”, destacou.


O que é uma arquitetura sustentável

“É uma arquitetura que utiliza produtos de base natural, renováveis, de baixo impacto ambiental e que não causem dano a saúde humana. A construção civil consome 50% dos recursos mundiais, é um dos setores menos sustentáveis do planeta. Então, temos uma responsabilidade muito grande quando vamos projetar para usar com sabedorias os materiais, temos que saber reduzir os impactos no ciclo de vida das edificações pois a cadeia começa na matéria prima, no processamento do material, foi comercializado, transportado e que depois numa certa altura ele vai ser descartado. Portanto quanto maior a durabilidade maior o período que os impactos serão amenizados”, enfatizou a arquiteta. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Quando o conforto ambiental cruza com a sustentabilidade

De acordo com Helena, quando é definido a questão tão de conforto no projeto, é hora de pensar no equilíbrio do homem e o meio ambiente. Os aspectos de conforto são térmico, acústico, paisagístico, econômico e segurança que estarão buscando aquilo que dará maior equilíbrio ao homem e seu meio, sendo o homem o elemento ativo nessa adaptação. “Para um conforto no clima das construções um dos recursos utilizados é o sombrea- mento nos pontos de maior ganho de calor, evitando a radiação direta. Além do mais a questão da vegetação é de extrema importância por afetar o micro-clima de diversas formas, por exemplo na redução da temperatura do ar, filtrando a radiação solar, impedindo que o raio de sol atinja o solo emanando o calor para o ambiente e árvores ainda dão proteção contra velocidade dos ventos", apontou. Em toda a sua abordagem ela procurou esclarecer que o mais importante é fazer uma arquitetura que solucione integralmente todas as exigências que cerca os indivíduos. “Todo projeto é único, não existe uma solução fechada. É papel do arquiteto otimizar as dificuldade térmicas, funcionais, orçamentarias e normativas. É de responsabilidade do profissional identificar e classificar as dificuldades e explicitar assumindo as dificuldades e soluções para beneficio da arquitetura e do planeta”, finalizou.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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