EMBRAPA

Cultivar de batata

Tubérculo para mercado fresco com boa qualidade culinária e resistência ao vírus Y

Edição 172

Antônio César Bortoletto, Engenheiro da Embrapa
Engenheiro agrônomo da Embrapa Produtos e Mercado, Antônio César Bortoletto
Segundo a Associação Brasileira da Batata, (dados de 2014), a produção do tubérculo está concentrada nos estados da Bahia (6.000 há); Goiás (7.000 há); Minas Gerais (32.000 há); São Paulo (17.000 há); Paraná (13.000 há); Rio Grande do Sul (12.000 há); Santa Catarina (3.000 há); totalizando cerca de 90.000 há e a produção total de 3.000.000 toneladas. Na década de 1980 a área plantada era superior a 150.000 hectares e a produção era a mesma.
O destino da produção, basicamente é:
-Indústria de pré-fritas congeladas – 200 a 250.000 toneladas;
-Indústria de chips e palha – 250.000 a 300.000 toneladas;
-Mercado fresco – 1.500.000 a 1.800.000 toneladas;
-Batata semente – 200.000 a 250.000 toneladas;
-Perdas – 200 mil a 300 mil toneladas, descartes ou problemas fitossanitário.

As principais variedades produzidas no Brasil são Ágata, Cupido; Mondial; Markies e Asterix mercado fresco e para a indústria de pré-fritas congeladas e Atlantic na indústria chips.

Há 30 anos existiam mais de 40.000 produtores de batatas. Atualmente são de 4.000 a 5.000 produtores distribuídos em 15 regiões que abrangem mais de 150 municípios. Os principais fatores que causaram a redução dos números na produção estão relacionados às consequências da globalização, apesar de ser autossuficiente para produzir e abastecer o mercado interno, atualmente são importadas mais de 250 mil toneladas de batatas pré-fritas congeladas. As importações equivalem à produção de aproximadamente 20 mil hectares e são provenientes principalmente da Bélgica, Holanda e Argentina.

O consumo de batata fresca no Brasil está reduzido devido à fatores como: mídia com campanha sobre alto teor calórico e alto índice de agrotóxicos; as variedades restringem as receitas culinárias que não satisfazem os consumidores; os supermercados aumentam os preços pagos aos produtores de 10 a 40 vezes; a praticidade em comprar alimentos congelados. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Tubérculo para mercado

Tubérculo para mercado fresco com boa qualidade culinária e resistência ao vírus Y


Conversamos com o engenheiro agrônomo da Embrapa Produtos e Mercado, Antônio César Bortoletto, na exposição técnica de horticultura Hortitec 2015, em Holambra, a respeito da batata, um alimento tão comum que vem desaparecendo dos cardápios na mesa da família brasileira.

JPR: Nós consumimos batatas importadas ou nacional? Antônio César Bortoletto: A pesquisa da batata no Brasil se resume ao programa de pesquisa da EMBRAPA. Não há melhoramento da batata pela iniciativa privada, só tivemos batata importada até hoje, pois, a batata mais plantada no Brasil é de origem Holandesa, e não apresenta uma adaptação perfeita porque foram obtidas para aqueles dias longos do verão da Europa, quando chegam aqui no Brasil, para produzir nos nossos dias mais curtos, precisam de quantidades imensas de fertilizantes e agrotóxicos para produzir. E o programa de melhoramento vêm quebrar essa hegemonia das batatas importadas, temos cultivares de batata que são resistentes à doenças e quase não precisam da aplicação do agrotóxico.

JPR: As nossas variedades podem ser produzidas no sistema orgânico? Antônio César Bortoletto: No caso da BRS Clara, os produtores orgânicos do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e outras diversas regiões estão conseguindo produzir com cargas, quatro aplicações durante o ciclo, sendo suficiente para produzir para que aproveitem de forma intensa os nutrientes e a água do solo. As batatas do Hemisfério Norte, da Europa, da América do Norte também necessitam de mais água e mais nutrientes para produzir.

JPR: O produtor aceita as variedades brasileiras? Antônio César Bortoletto: O panorama nas propriedades, infelizmente o bataticultor trabalha com muito tradicionalismo. A batata para ele poder adotar, ele vai ter que experimentar quatro, cinco vezes, para ele poder perceber que deu certo, para aí ele poder produzir. Ele não acredita nas batatas brasileiras, então fica difícil. Não diria ser um mito, mas sim, um paradigma a ser quebrado.

JPR: As variedades nacionais tem avançado na produtividade e sabor? Antônio César Bortoletto: A nossa espécie mais recente é a BRS Camila, em termos de beleza do tubérculo, que é o que o consumidor brasileiro deseja, ela se equipara a mais plantada do Brasil. Em produtividade, ela também supera, tem um rendimento comercial de campo superior, produz de 10 a 15% a mais . Além de tudo isso, ela é resistente ao vírus Y, que é a doença que mais degenera a semente da batata em quase todas as regiões. Essa batata foi concebida para satisfazer o consumidor e o produtor, além das vantagens agronômicas, ela é muito saborosa permitindo o preparo de pratos gourmet’s, porque apresenta uma textura interessante, um sabor bem característico de batata.

JPR: As sementes das novas variedades já estão disponíveis para os produtores? Antônio César Bortoletto: Para os pequenos produtores conseguirem as sementes e mudas, terão que aguardar um pouquinho. Está aberto o edital de oferta pública para os produtores de semente se candidatarem para produção e ai sim os agricultores poderão ter acesso. Para pequenas quantidades, para experimentar, pode-se fazer negociações e conseguir alguma coisa, mais sempre pouca coisa. Lá pelo segundo semestre ela estará disponível para todos.

JPR: As pessoas tem evitado consumir cardápios com batatas. O consumo de batatas engorda? Antônio César Bortoletto: No momento em que só se fala em alimentação saudável, na abolição dos carboidratos, comida sem glúten, é llógico que não vamos comer quilos e quilos de batata por dia, o problema maior é a fome de consumir a batata, porque o brasileiro gosta de consumir a batata simplesmente frita, mais existem inúmeras outras formas mais saudáveis de preparo, para um consumo mais saudável. E o detalhe da batata, é que o seu carboidrato, não é um carboidrato de índice glicêmico tão alto como, por exemplo, das farinhas refinadas como as massas, é um carboidrato de menor índice glicêmico, com isso ela demora mais para ser digerida e o consumidor tende a sentir fome, um bom tempo depois do consumo. Mas lógico que quantidades grandes vai atrapalhar a dieta de todos, comenta. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
JPR: A batata, por ser um tubérculo, apresenta maior concentração de agrotóxico? Antônio César Bortoletto:Muita gente até hoje fala, que a batata é um dos alimentos que mais tem agrotóxicos, mais isso não é bem a verdade, porque se aplica agrotóxico nas folhas e o que nós comemos está abaixo do solo, então, o tubérculo não tem contato com o agrotóxico, quando aplicado. Mas existem batatas que são possíveis de se produzir sem agrotóxico, no cultivo orgânico e com sucesso de produção. Gostaria de ressaltar, que estamos com o Edital aberto e gostaria de pedir aos produtores de sementes para que eles participem , visitando a nossa página na internet: www.embrapa.br Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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