CÂMARA SETORIAL DO CAFÉ

Broca cafeeira põe em risco a classificação do café brasileiro

Pauta da Câmara Setorial do Café, reunião realizada na cidade Espírito Santo do Pinhal durante a
3ª Feira do Agronegócio Café São Paulo

Edição 180 - Outubro 2015

Foto:JPR
Dados apresentados durante a reunião que foi coordenada pelo presidente interino da Câmara Setorial do Café, Nathan Herszkowicz
Aconteceu no dia 15 de outubro em Espírito Santo do Pinhal, SP, a terceira Feira do Agronegócio Café São Paulo. Durante o evento houve a reunião da Câmara Setorial do Café na presença do Secretário Estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim. A reunião foi coordenada pelo presidente interino da Câmara Setorial do Café, Nathan Herszkowicz.

Aproveitando da presença do Secretário Estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim, em seu discurso Nathan Herszkowicz observou; ”Estamos diante de um problema muito sério, cuja gravidade ainda não foi avaliada pelo conjunto da produção cafeeira, de cooperativas, inclusive pelos fatos que vamos mostrar aqui, afetam a indústria, resultando grandes riscos ao consumo do café. O café, corre o risco de ser denegrido por consequências de uma legislação da Anvisa, a qual estabelece limites de substâncias estranhas de fragmentos microscópicos de insetos. Nós estamos diante desta ameaça, da imprensa ouvir a Associação de Defesa do Consumidor, o café ser considerado inadequado ao consumo, em função de uma legislação imprópria, inadequadamente, lançada de forma irresponsável no momento que cafeicultura brasileira teve que abolir o uso do Endosulfan, em 2013", conta Nathan.

Produtos considerados não conformes
Ao mesmo tempo que foi proibido o Endosulfan, um inseticida e acaricida, sólido incolor considerado extremante tóxico, usado há 40 anos no Brasil, observou Nathan que “a Anvisa fez isso sem que tivesse liberado o registro de outro defensivo para substitui-lo. O parque cafeeiro brasileiro ficou desprotegido no controle da broca-do-café desde 2013 e o resultado foi uma infestação na cafeicultura do parque cafeeiro, resultando em perdas para o produtor. Este não sabe o quanto está perdendo".
O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café - ABIC, continuou sua abordagem; ”a indicação de dados cedidos pela Cooxupé e a indústria do café indicam possibilidades de penalizações por terem seus produtos considerados não conformes, porque tem fragmentos da broca-do-café, e essa broca vai para o produto final pois, os grãos brocados não conseguem separar dos grãos não brocados. Esse é o café que está no mercado para consumo geral”, lamenta Nathan.
Dados da Cooxupé de 2014 indicam que já teve 7% dos lotes recebidos observados com infestação de broca-do-café. Com esse nível infestação os cafés torrados e moídos não consegue atender a norma da Anvisa.

Perdendo R$8,00 por saca
"Na safra 2015, o problema se agravou, 9% dos lotes teve infestação de broca. Foram 72% das amostras com broca-do-café produzidos por pequenos produtores, o que indica que o pequeno produtor está ainda mais desprotegido. Dados da Assistência Técnica indicam que a perda de peso resultantes da infestação da broca-do-café representa prejuízo direto no bolso do produtor. Com infestação pequena de 1 a 3% de broca, o café ainda permanece eventualmente como tipo dois na classificação - um dos tipos mais valorizados e melhores. Mas quando a infestação atinge 5%, o café não atinge mais classificação tipo dois, passando para o tipo três, perdendo 850g por saca, ou seja, 1,42% do seu valor, portanto, numa saca de 60kg que pode valer R$ 500,00, o produtor não sabe mas, deve estar perdendo de R$7,00 a R$8,00 por saca. Isso calculado em milhões de sacas de café produzidos no Brasil representa um prejuízo enorme em função da Anvisa ter abolido um defensivo e não conseguiu em tempo prover o registro de outro defensivo que pudesse substituir”, explica. Os prejuízos para os produtores são grandes já que a praga provoca queda e redução de peso dos frutos, com consequente quebra de produção, mas não afetam os consumidores. A Secretaria do Estado de São Paulo conseguiu uma decretação de emergência fitossanitária por um período limitado e o assunto ainda não está resolvido. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Foto:Marcel Menconi
A ABIC solicita providencias para que o assunto seja tratado pela ANVISA, de modo a evitar que o setor, as empresas e o consumo sejam prejudicados.

Amostras examinadas
Outros dados da Cooxupé, com base nos lotes de cafés recebidos, demonstra como essa infestação de broca-do-café aumentou. Em 2006 apresentava 0,39% de infestação de broca-do-café nas amostras avaliadas, em 2008 diminuiu essa porcentagem, resultado que durou até 2011. Em 2013 sem aplicação do Endosulfan, a infestação aumentou quase 20 vezes mostrando claramente que essa proibição trouxe consequências desastrosas para a cafeicultura.
"O substituto Benevia, cuja eficácia não é comprovada, atinge 60% em relação ao produto anterior e traz um problema sério, o gasto para o produtor com o Benevia chega a cerca de R$ 35,00 por hectare. A produção tem o problema de não dispor ainda de um substituto registrado funcionando em regime de emergência sanitária com um custo que não é possível para a cafeicultura competir. A indústria que faz o Benevia não tem produção suficiente para atender todos os cafezais do Brasil. Existem mais de onze produtos em processo de registro. A situação é crítica. É preciso que a Anvisa, principalmente o Ibama, não retalhe a liberação desses produtos para a cafeicultura voltar a ter proteção", lamenta.

As consequências para a indústria do café são muito preocupantes.
"Falamos com o presidente da Anvisa e diretor de comunicação, porque todos os Institutos de Pesquisa para o consumidor não havia encontrado problemas nas pesquisas de café desde 2002. No início de 2015, os testes reprovaram 14 marcas famosas de café, devido a detecção de um número maior de fragmentos de insetos em 11 delas, resultando numa indicação de que o café é impróprio para o consumo. Portanto podemos ter um conceito impróprio para cafeterias depois da proibição do Endosulfan", explica.
Nathan alerta, “algumas marcas estão no mercado há 80/100 anos, trata-se de empresas idôneas, aparecendo nos jornais como se fossem criminosos. 66% das marcas apresentaram presença da broca, mostrando que o setor está desprotegido. As indústrias estão sujeitas a serem notificadas, punidas. Não só o nome manchado mas a categoria café, desta forma o consumo ficaria comprometido por falta de um planejamento que antecedesse a retirada do Endosulfan do mercado”, avaliou. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
A importância da lavoura cafeeira
Encerrada a apresentação de Nathan Herszkowitz, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo Arnaldo Jardim solicitou que o pleito fosse encaminhado à Comissão Técnica do Café, presidida pelo pesquisador Celso Vegro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta), para que fosse verificada a melhor forma de discutir com a Anvisa. O secretário afirmou que será importante a mobilização da Câmara Setorial e que, embora a cadeia produtiva do café seja muito expressiva, em sua passagem pela Secretaria de Agricultura pretende incrementar a pesquisa científica e assistência técnica, compatibilizar agricultura e meio ambiente e intensificar as parcerias. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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