ECONOMIA

Perspectiva do cenário econômico do Brasil em 2016

Elen Regina Steter, mestre em macroeconomia financeira pela FGV e economista do banco Bradesco

Edição 183 - Dezembro 2015

Elen Regina Steter
Esperar algo, é olhar para a confiança. Será que posso esperar a retomada da economia na atividade?
Ellen Regina Steter (foto), mestre em Macroeconomia Financeira pela FGV/SP, economista do banco Bradesco, realizou a palestra “Perspectiva do Cenário Econômico do Brasil em 2016”, no departamento de Economia da Esalq/Usp. As incertezas que o cenário econômico atual apresenta deixa brasileiros comuns e especialistas com muitas dúvidas, mas, a única certeza entre todos é de que é preciso restabelecer a confiança. “Quando pego toda essa incerteza de ajuste fiscal, a depreciação, o aumento de custos, a preocupação com relação ao horizonte da economia no Brasil, tudo isso atinge a questão da confiança de todos os agentes como indústria, comércio, serviços, consumidor, ou seja, hoje o quadro é de desconfiança”, afirma. da área rural constituídos até julho de 2013 poderão buscar a regularização junto à prefeitura.

As pesquisas sobre o índice de confiança da indústria, segundo pesquisas da CNI e Fundação Getulio Vargas, e pesquisa interna do Brades- co (cerca de 3.000 empresas), apresenta resultado de um índice de confiança inferior ao apresentado em 2008. “Pra se ter ideia de como utilizamos os indicadores, o índice de confiança é o índice precedente, nós usamos para projetar indicador industrial ou até mesmo indicador do PIB, ou seja, a indústria atravessará dois trimestres de recessão”, afirma. O índice negativo do PIB de -3% deverá persistir em 2016. “Esperar algo, é olhar para a confiança. Será que posso esperar a retomada da economia na atividade? É um indicador para usarmos como antecedente. Em termos de impacto na atividade real, o principal setor afetado, dado essa conjuntura é a indústria nacional, com uma queda expressiva na produção, queda de 7,5%. Para 2016 continua negativo o desempenho. Neste setor temos desempenhos distintos. A indústria de papel e celulose continua muito bem. A indústria de bens e capital, máquinas e equipamentos automotivos depende da confiança, de investimentos”, afirma.

A indústria de celulose ainda cresce um pouquinho. “Automaticamente os ajustes ocorrem. Esse cenário da indústria com a capacidade instalada, passa pelo desafio de ajustar. Não tem como investir com a confiança deteriorada, os equipamentos em depreciação, mas, o ajuste tem que acontecer. O ajuste vai impactar negativamente o mercado de trabalho. Trata-se de um grande desafio para a economia brasileira pensar à médio prazo. A questão de crescimento potencial não vai só via bens de capital, incluindo capital humano - um dilema vivido em 2010/2011- tivemos diversos momentos em que a expectativa de crescimento foi frustrada exatamente pelo custo de capital com reajustes acima da produtividade do trabalhador, isso virou custo, virou inflação”, afirma.

O ajuste está ocorrendo no mercado de trabalho. Segundo dados do Caged, Ministério do Trabalho, aponta a geração líquida de outubro 2014 a setembro 2015, demiti- do liquidamente quase 1milhão e 300 mil trabalhadores. “Esses números apontam trabalhadores da indústria e construção civil leve e de toda a questão da Lava Jato (infraestrutura e concessões), dois setores mais afetados que atingiu outros mais resilientes como comércio e serviços”, afirma. O PIB da construção civil teve retração de 6%. A construção pesada terá retração de 2,5%. O comércio varejista tem o consumidor mais reticente e apresenta recuo de 4% em relação ao crescimento de 2% em 2014. “Em 2016, o índice continuará negativo. Existe diferenças entre os setores, o comércio restrito e materiais de construção. Os setores que ainda crescerão em 2016, incluem as grandes lojas varejistas, onde o consumidor consegue diversificar na escolha de produtos mais baratos. Crescerá o setor de artigos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos, higiene pessoal. O consumidor fará substituição de produtos. Lembrando da ascensão da classe média, que aumentou o poder de compra. Hoje, o carrinho de compras é totalmente diferente do carrinho de 10 anos atrás. O consumidor está escolhendo alguns produtos de 1a linha ou até mesmo ítens que não consumia antes, ou seja, o consumidor continua consumindo o produto mas mudou de mar- ca. A ideia dos genéricos que passou pelos medicamentos também vai passar pela alimentação e bebidas, deixando o mercado mais favorável para quem trabalha com produtos secundários”, afirma.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
O PIB agrícola cresce 2% em 2016, novamente. “Tem sido um alento para nós olhar a perspectiva da agricultura mas, infelizmente, sabemos que o peso é ainda limitado para inverter os números da economia nacional. É um ponto positivo. Tem uma dinâmica regional diferente, mas, não é o suficiente pra retomar o crescimento nacional”, afirma.
“Olhando o PIB, em ter- mos de atividade econômica, teremos uma queda de 3,6% neste ano. Para 2016, uma nova queda de -2,8%. Pra chegar a isso, a partir o 3o tri- mestre do ano, o cenário para de piorar. Essa é a boa notícia. Parte do que acontecer no final deste ano especial- mente 3o e 4o trimestre acaba impactando o 1o trimestre de 2016. Então, para esse recuo de -2,8%, significa que meu 3o trimestre do ano em relação ao 2o trimestre eu tenho uma variação zerada.
De novo, a nossa conclusão é de que essa conjuntura é transitória e não permanente, retornando ao rumo do ajuste se será gradual, ninguém espera uma recuperação intensa da atividade econômica porque o País está reconquistando confiança. Uma vez que reconquista confiança ( que não ocorre do dia pra noite) é preciso reconquistar confiabilidade. A retomada será lenta. Mas ocorrerá” observou ao fim de sua explanação. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
© 2013 - Jornal Pires Rural