AGRONEGÓCIO E GESTÃO

Certificações no setor sucroenergético: situações e perspectivas

Os tipos de certificações agrícolas, em geral, são ambientais, responsabilidade social, Fair Trade e certificações de origem como, por exemplo, o caso da cachaça. O Prof. Dr. Carlos Eduardo de Freitas Vian, apresentou os trabalhos realizados sobre certificações do setor sucroenergético. Na cana-de-açúcar, o maior exemplo é a Native, o maior produtor orgânico do mundo.

Edição 186 | Limeira, Fevereiro de 2016 | Ano XI

Carlos Eduardo de Freitas Vian

Carlos Eduardo de Freitas Vian, é engenheiro de produção e economista, atua junto ao Departamento de Economia Administração e Sociologia da ESALQ/USP


Tem crescido a importância da indústria sucroenergética pela significativa representatividade de seus dois principais produtos: açúcar e etanol, no painel de exportação do país. A indústria sucroenergética torna-se cada vez mais competitiva e importante no contexto brasileiro e o conhecimento dessa cadeia produtiva é fundamental. Trazendo os resultados da pesquisa realizada pelo grupo Pecege/ESALQ/USP que é responsável pela geração dos indicadores econômicos do setor sucronergético e divulgação do relatório de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar, etanol e bioeletricidade no Brasil, a cada safra, está o Prof. Dr. Carlos Eduardo de Freitas Vian, que é engenheiro de produção e economista, atualmente exerce o cargo de Professor Doutor II junto ao Departamento de Economia Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiróz" da Universidade de São Paulo (ESALQ USP). Nos últimos anos tem participado de projetos de pesquisa sobre a agroindústria canavieira, produção e comercialização de orgânicos, turismo rural, desenvolvimento econômico e social e certificação no agronegócio. Durante o 5° Simpósio de Agronegócio e Gestão, Carlos Vian, apresentou a palestra que abordou o tema ‘As certificações no setor sucroenergético: situação e perspectivas’.

De acordo com ele, os trabalhos realizados sobre certificações do setor sucroenergético se deu por conta de projetos com orgânicos. A falta de dados ainda prejudica os trabalhos para averiguação específica do setor para entender os processos, mas, “através do Peceg5e (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas) são realizados estudos de valores e comparações entre as empresas, a partir de uma inovação através da incorporação de uma pergunta; “As empresas têm certificações, quais são?”. Essas perguntas nos permitiram fazer umas simulações com grupos dentro do setor e entender melhor o processo", afirma o professor. A certificação, trata-se de um tema relativamente novo no mundo dos negócios. É encontrado na literatura à partir dos anos 1980/1990, em vários setores relacionado diretamente com fazer aquilo que manda a lei. “No mundo dos negócios temos leis, padrões, certificações, mas, quando chega no produto final a gente não tem noção do consumidor daquele produto, não sabe se realmente todo o processo foi sendo colocado, e o mundo hoje exige transparência. As certificações estão se tornando padrões dos mercados. Na agricultura, a cultura que avançou bastante com certificações foi a cultura do café, como garantia pela qualidade ou atributos como sociais", exemplificou. Segundo Carlos Vian, a certificação mais relevante e ampla é a certificação orgânica. Na cana-de-açúcar, o maior exemplo é a Native, o maior produtor orgânico do mundo. No Brasil, grande quantidade de pequenos e médios produtores de açúcar mascavo comercializam em nichos específicos.

Os tipos de certificações agrícolas, em geral, são ambientais, responsabilidade social, Fair Trade (comércio justo), e certificações de origem como, por exemplo, o caso da cachaça. “Iniciamos os estudos fazendo uma revisão sobre os selos e identificamos que existe uma diferença entre o que se chama de certificação e o que se chama de outros selos. A certificação trabalha com o processo produtivo e industrial, a diferença está no nível de exigência que são feitas no processo produtivo e no número de fiscalizações e auditorias. A profundidade dessas auditorias, nas certificações em geral, leva um detalhamento do processo a um nível mais básico, com detalhes muito pertinentes e em outras certificações esse nível de detalhamento, essa frequência de auditorias é menor", revelou.

Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Segundo Carlos Vian, a certificação mais relevante e ampla é a certificação orgânica.

A certificação trabalha com o processo produtivo e industrial, a diferença está no nível de exigência que são feitas no processo produtivo e no número de fiscalizações e auditorias.


“Uma das vertentes, como incentivo para a implantação do processo de certificação, é o diferencial de preço em relação a eficiência produtiva, redução ou não de custos, real impacto econômico, entre outros, que a certificação tem para as empresas. Quanto à imagem do produto, a certificação e o uso do selo traz uma imagem diferenciada. O consumidor dá valor ao produto com selo, levando-o a fidelidade da marca. Conseguimos encontrar nichos de consumidores no Brasil, fiéis a certos produtos com certificação, valorizando questões relacionadas a certificação", explicou. Por outro lado, as dificuldades são: custos de adesão ao processo de certificação relacionados principalmente com a produção agrícola como: adequação do processo produtivo. "Em muitos casos, a quarentena, período pelo qual o produto tem que respeitar, porque nesse período o produto não pode explorar o diferencial de preço relacionado a certificação. Isso aconteceu com muitas indústrias que tentaram produzir açúcar orgânico e convencional ao mesmo tempo", apontou.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Os estudos relacionados à esse tema têm muitas dificuldades em levantar dados estatísticos. Para atingir dados de níveis estatísticos, mais empresas devem responder e participar da pesquisa. “Constatamos que empresas do setor sucronergético, com certificação ISO 9001, apresentou aumento de produtividade. O processo de implantação ISO 9001, como padronização de processos, de gestão, de repetição adequada gera uma proposta melhor para as empresas com aumento da produtividade, maior eficiência. A idade do canavial e o número de cortes aumenta o rendimento do açúcar e consequentemente o rendimento do etanol”, apontou Vian e continuou, “concluímos que, no caso da certificações ISO 9001, o resultado econômico está relacionado à eficiência produtiva, ao impacto de gestão. Aparentemente, a adoção da certificação ISO 9001 e todos os processos de padronização levam a melhor gestão do processo produtivo. A produção canavieira tem um sistema complexo que exige controle, com a certificação faz com que esses processos melhorem refletindo na produtividade com processos mais eficientes", pontuando na conclusão suas analises dos resultados da pesquisa realizadas sobre selos de certificação para a indústria sucroenergética.
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