RESGATE CULTURAL

A trajetória da Festa Alemã

O Bairro dos Pires em Limeira/SP é conhecido pela colonização das famílias alemãs que chegaram ao Brasil por volta de 1850. Moradora do Bairro dos Pires, Diná Dibbern Fischer, idealizadora do resgate cultural alemão, começou em 1995/96 a realizar a Festa Alemã na escolinha municipal do bairro. A Festa Alemã de Limeira foi realizada por treze anos consecutivos, leia mais

Adriana Fonsaca - Dezembro 2014 - Edição 162

Foto:Arquivo Pessoal
Já consagrada uma tradição cultural para o município, mas em 2014 não foi realizada. Fomos conversar com Diná Dibbern Fischer, idealizadora do resgate cultural alemão para o bairro dos Pires, e que em 1995/96 começou realizar a festa na escolinha municipal do bairro dos Pires (fotos). Em 2000 a Festa Alemã ganhou parceria com poder público e patrocinadores e Diná uma das precursoras no assunto. Segundo ela, foi por falta de apoio financeiro por parte da Prefeitura Municipal, depois de treze anos realizando a Festa Alemã, a Associação dos Amigos do Bairro dos Pires preferiu recusar a mesma oferta oferecida em 2013 para realização no Centro de Eventos, a antiga Lival. "Pra repetirmos a realização da Festa Alemã na Lival, seria repetir o mesmo erro do ano passado", afirma Diná. Acompanhe a entrevista: autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Jornal Pires Rural: De onde veio a motivação para fazer uma Festa Alemã?
Diná Fischer:
Sempre fui motivada por um amigo, Robson Hergert Natal, já falecido, um idealizador da cultura alemã. Sempre nos dizia da importância do resgate cultural para o bairro. Após seu falecimento em 1994, começamos perceber que ele tinha razão. Organizei duas festas alemãs na escola Martin Lutero, no bairro dos Pires, como professora. No ano 2000 a secretaria de Turismo e Eventos, da Prefeitura Municipal de Limeira me procurou por meio do pastor Osmar. A proposta era de resgate do turismo rural. Na época meu filho Robson era muito pequeno, recusei. No ano seguinte, a proposta voltou. Aceitei e agendamos uma reunião com a Associação de Amigos do Bairro dos Pires, para eu não assumir uma responsabilidade tão grande sozinha. A intenção da secretaria era fazer turismo rural, baseado no roteiro do Circuito das Frutas. Na discussão, os problemas de infraestrutura do bairro ganharam destaque, não ter pontos específicos para acontecer o turismo como um restaurante, até se cogitou na época do Rancho Nativo comercializar os produtos típicos. O turismo rural ficou adormecido. Nós encaramos a proposta da Festa Alemã.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Qual era seu objetivo na organização da Festa Alemã?
Diná Fischer:
O meu objetivo era resgatar a cultura. Envolver as pessoas de novo, pois, somos cobrados por não falar a língua alemã, mas isso tem uma explicação. Durante a 1ª e 2ª Guerras, foi proibido dizer qualquer palavra, até manter os livros. Meus avós contavam que esconderam a Bíblia, os livros, debaixo da terra porque havia ameaça de serem presos, caso não respeitassem a ordem. Do dia pra noite não podiam mais falar a língua. A língua não falada foi esquecida. Desta forma, a Festa Alemã seria uma maneira de recuperar a cultura dentro daquilo que já era comum no bairro, principalmente os pratos típicos. A dança é típica da Alemanha e já ocorriam nos bailinhos então conciliamos costumes atuais com a tradição alemã. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Foto:Arquivo Pessoal
De lá pra cá como se deu o crescimento da Festa Alemã?
Diná Fischer:
Nos últimos oito anos o crescimento da festa se deve ao apoio da Prefeitura Municipal que investiu e percebeu que a festa valia a pena. Conseguimos atingir os objetivos. Envolvemos as pessoas do bairro embora hajam aquelas que resistam, não dão valor. Mas de forma geral, marcamos presença no meio cultural do município. Conseguimos envolver gerações que iniciaram na Festa Alemã dançando e terminaram na organização, na fase adulta. A primeira festa foi realizada na chácara do Krânio, mas o local não suportou o público da primeira festa. Na segunda, tivemos que ir pro Centro Rural do Pinhal, depois no Rancho Nativo 2011/12, e aí na antiga Lival (na cidade) em 2013. Em 2014 não teve Festa Alemã. Até 2007 eu e o Danilo Fisher, meu esposo, fomos os organizadores. À partir de 2008 passamos a organização pra família Schnoor, sempre estivemos juntos. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Por que a Festa Alemã não se realizou em 2014?
Diná Fischer:
Em 2014, a Festa Alemã não se realizou pela escassez de verbas da Prefeitura Municipal, ofereceram o mesmo espaço municipal de eventos, a antiga Lival. Em 2013, a festa não foi boa, com diminuição de público. As pessoas acostumadas com a festa anual deixaram de ir porque a Festa Alemã passou a ser realizada na cidade. Acostumados a curtir a festa na área rural, almoçar debaixo da sombra das árvores, as famílias iam pro almoço e passavam a tarde inteira. Esse público não foi. Aqueles que foram reclamaram. Esse ano a Prefeitura ofereceu dois dias novamente com alguma infraestrutura, como em 2013. A Associação resolveu recusar e trabalhar para 2015 voltar ser realizada nos moldes que sempre foi.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br

Por que a Associação não aceitou a proposta da Prefeitura Municipal?
Diná Fischer:
A Prefeitura Municipal não tem condições de assumir a Festa Alemã nos moldes que a Festa conquistou como foi a última no Rancho Nativo em 2013. A Prefeitura não tem verba e a Associação também não. A infraestrutura é grande e cara, o patrocínio não paga todas as despesas. Repetir a Festa Alemã na antiga Lival, seria repetir o erro de 2013. Nós fazemos a festa pra família, elas não foram na Lival, por ser um local fechado e quente. Fomos procurados por pessoas que foram e reclamaram, não aprovaram o local. Tentamos justificar, fizemos o que conseguimos.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
"A Prefeitura Municipal não tem condições de assumir a Festa Alemã nos moldes que a Festa conquistou como foi a última no Rancho Nativo em 2013", afirmou Diná Fischer
O que é a Festa Alemã pra você?
Diná Fischer:
Nós demos a luz à Festa Alemã. Durante sete anos criamos a festa. Emprestamos para outra família, os Schnoor. Dá-me a impressão de um filho que viajou, sabemos que volta, mas não sabemos como. Gosto muito da parte histórica e cultural que a Festa Alemã nos trouxe. Digo que, para se entender o presente é preciso conhecer nosso passado. Toda luta dos nossos avós e antepassados não pode ser em vão. As novas gerações precisam valorizar o passado. A história do bairro é bonita pois retrata o trabalho dos imigrantes e a luta pela permanência num País desconhecido portanto deve continuar sendo ensinada e valorizada.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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