ECONOMIA DOMÉSTICA

Driblando a crise sem render-se a ilusão
da tecnologia

Trabalho, renda, tempo, tarefas, desafios...

Edição 169 - Maio 2015

Foto:Adriana Fonsaca
Dulce Hergert, Claudete Tetzner Barbosa, Glaucimara Hergert.
Todos nós precisamos de encorajamento. Mas não aquele do tipo superficial. Não adianta levantar de manhã e repetir o mantra - "tudo vai dar certo" - 10 vezes antes de colocar o pé no chão. Sabemos que existem ciclos de recessão. É verdade que a história passada não é um indicador perfeito, mas é um indicador que temos. Quando analisamos os ciclos da bolsa de valores, por exemplo, encontramos que tempos de recessão e também de grande crescimento acontecem normalmente. Um estudo da bolsa de valores de Nova Iorque conclui que nenhum ciclo durou mais de três anos, que a média de duração de cada crise foi de apenas 15 meses e que, um ano depois que o ciclo de recessão se completou, na grande maioria das vezes, o mercado se recuperou e mostrou ganhos, algumas vezes consideráveis. Então, esta crise também vai passar.

Enquanto isso não acontece, sabemos que temos que to- mar algumas medidas para não ter sérios problemas financeiros e a vaca magra aparecer no pasto. Fizemos uma pequena enquete sobre economia doméstica perguntando as mulheres que residem na área rural duas coisas; “Como você está enfrentando a crise econômica?” e “Quais as dicas de economia doméstica poderia citar?”
Saiba o que elas responderam:

Glaucimara Hergert
Eu acho que a tecnologia tomou muito tempo das pessoas iludindo-as. Pra gente que tem um sítio pequeno não é necessário ter um trator com computador, nós precisamos de mão de obra e as pessoas se iludem com a tecnologia e não querem mais trabalhar. Meu filho fala em fazer um curso de máquina colheitadeira com computador mas vai trabalhar aonde com aquela máquina? A tecnologia toma o tempo das pessoas e iludiu os jovens porque as vagas de trabalho são na maioria pra mão de obra sem tecnologia e ninguém quer. As pessoas perdem muito tempo no computador e não agem, não executam as tarefas com facilidade, não solucionam mais problemas com facilidade, não enfrentam desafios, ficam muito na imaginação. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Claudete Tetzner Barbosa
Eu corto o supérfluo, como por exemplo, sair de casa com a família para comer pizza nos finais de semana. Na cozinha, eu sou bastante econômica reaproveitando as sobras de alimentos. A sobra de arroz eu reservo para quando for preparar outra refeição. Eu reduzo a quantidade e misturo a sobra, ou reaproveita fazendo bolinho de arroz. Quanto a sobra de feijão, faço tutu de feijão ou sopa de feijão com macarrão. Depois do churrasco sempre sobra carnes. No dia seguinte, recorto as carnes e re-hidrato com cebolas e tomates, tempero novamente, fica muito saborosa. No supermercado compro ítens da promoção e quanto ao tomate (que é insubstituível) compro quantidade menor. Na cozinha, sou eu quem prepara os alimentos. Dedico muito mais pra fazer economia, pois a praticidade custa caro. Por exemplo, se formos comprar bolo pelado que está na moda, pagaremos R$ 14,00 o quilo. Eu prefiro fazer o bolo e me dedicar à economia. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Dulce Hergert
Nós produzimos alimentos pra vender. Estamos com dificuldades porque precisamos aumentar os preços. Se aumentar os valores não vendemos, as vendas caíram há dois meses. Mesmo assim aumentamos os valores dos queijos e linguiças porque o valor das sementes e adubo aumentaram bastante já o valor do milho seco para venda mantém o mesmo valor do ano passado. A gente ouve dizer que na cidade as donas de casa tem ido ao supermercado comprar um ovo, uma cebola por causa da crise.

Penso que essa crise econômica não será como outras porque antes não tínhamos que manter certas coisas que eu acho desnecessárias como vários celulares numa família, além de vestuário, calçados em quantidade que não era necessário tempos atrás. São ítens muito difíceis de cortar como IPVA, seguros dos carros, energia. Mas, graças à Deus estamos mantendo porque não temos dívidas. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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