ESTUDOS RURAIS

Agroecologia: a palavra chave é diversidade

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promoveu entre os dias 2 a 5 de setembro o 6º Encontro da Rede de Estudos Rurais, com o tema: desigualdade, exclusão e conflitos nos espaços rurais. A presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Maria Emília Pacheco, participou da primeira mesa redonda, com a palestra: Ano Internacional da Agricultura Familiar: Soberania e Segurança e Nutricional.

Edição 157 - Setembro 2014

Maria Emília Pacheco - presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)
A apresentação de Maria Emília abordou os temas da soberania e da segurança alimentar e nutricional, enfocando os temas da construção social e histórica desses conceitos; a agroecologia como ciência, movimento e prática para o fortalecimento da agricultura familiar; as potencialidade e os obstáculos e desafios nos programas e políticas para a afirmação da agricultura familiar e sua contribuição para a soberania e segurança alimentar e nutricional.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
O conceito do sistema de produção da agroecologia, como explicou Maria Emília Pacheco, “é ser uma ciência, um movimento social e também boas práticas agrícolas. Esse sistema tem uma dimensão tecnológica, em sua prática, em não usar venenos, os chamados agrotóxicos. Significa um manejo sustentável dos recursos naturais, ter uma relação mais harmoniosa com a natureza” explicou.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Segundo ela, a agroecologia tem uma dimensão social, econômica e política, em sua implantação, “a transição da agricultura convencional para a agroecologia leva em conta a necessidade do que chamamos de construção social de mercados, isso é, aproximar o produtor do consumidor”, explicou.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Nas práticas agrícolas, a agroecologia valoriza as sementes tradicionais, as chamadas ‘sementes crioulas, da paixão ou da fartura’, porque são fundamentais e estão adaptadas nas suas regiões de origem, com o clima e solo. No sistema agroecologico também há várias combinações de um ecossistema, como exemplo, da pesca com agricultura, e a combinação dos espaços agrícolas, a área do quintal com a área da lavoura. “A palavra diversidade é a chave desse sistema de produção, sob todos seus aspectos, diversidade de sementes, diversidade de ambientes e diversidade de práticas. Esse sistema não é apenas orgânico. Porque orgânico significa não ter agrotóxico, mas pode ser uma produção de apenas um produto, sendo uma monocultura. O principio agroecologico, da diversidade, não se aplica ao sistema orgânico”, definiu.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Para a construção social e histórica desses conceitos, a agricultura familiar é o sujeito de toda essa historia. Maria diz “são eles quem vão praticar a agroecologia ou quem está buscando uma transição no modo de cultivo, tradicional para o sistema agroecologico, devido aos impactos sentidos na saúde e meio ambiente” exemplificou.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Maior consumidor de agrotóxicos no mundo
A declaração de que “é necessário fazer uso de defensivos agrícolas para que os brasileiros pobres comprem comida barata e para que a produção e exportação de alimentos orgânicos seria necessário ter uma área 4 vezes ao do Brasil” dita pela Senadora Kátia Abreu, foi comentada por ela “quando a senadora fala do custo, devemos saber que no Brasil cresceu assustadoramente o uso de agrotóxicos por hectare. De 7 kg por hectare nos já estamos em 15 kg por hectare e esse aumento esta associado à expansão das monoculturas que tomam cada vez mais espaço no País. O milho, a soja e o algodão é a agricultura convencional que veio da chamada revolução verde, baseada no uso intensivo de agrotóxicos, insumos químicos, maquinários pesados, e o alto custo de produção. Além de 20% do custo desse tipo de produção ser gasto com agrotóxicos. Gostaria de fazer uma correção não se usa o termos defensivos agrícolas porque são venenos, são agrotóxicos que tem um impacto gravíssimo na saúde humana e no meio ambiente. É necessário que todas as pessoas que estão preocupadas e querem ter sua parcela de participação na defesa de uma alimentação adequada e saudável precisam ter cuidado com as próprias palavras. Quanto aos preços dos alimentos orgânicos ou agroecologicos, entendo que no Brasil ainda não temos políticas suficientes que garantam que tenhamos uma alimentação de qualidade para o conjunto da população. Temos defendido no Consea, que é preciso uma política de abastecimento, que contemple um poder de regulação do Estado em relação aos preços dos alimentos e que tenhamos um sistema mais descentralizados. Hoje vivemos um contexto de concentração de empresas que produzem os insumos químicos e as sementes, serem as mesmas e estando num processo de concentração crescente. Na venda também temos uma concentração das grandes corporações com uma redução da rede varejista”, comentou Maria Emília.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
"Precisamos evitar o passeio dos alimentos, isso se faz apoiando feiras do pequeno produtor rural", afirmou Maria Emília

Circuito curto dos alimentos
Durante sua palestra Maria Emilia abordou do que ela chama de “passeio dos alimentos”. “Precisamos evitar isso. Muitas vezes os alimentos percorrem milhares de quilômetros devido ao sistema de distribuição e abastecimento alimentar no Brasil, de que forma faz isso? Isso se faz apoiando feiras do pequeno produtor rural. Apoiando o sistema de redes de economia solidaria, garantindo que o pequeno varejo sobreviva e não seja tragado pelo grande monopólios. Vamos valorizar experiências como a Rede Ecovida que tem um sistemas de caminhões que saem percorrendo municípios e vão levando e trocando produtos que vão compondo feiras dos agricultores e abastecendo o mercado local com diversidades de produtos. São iniciativas da sociedade que precisam ser compreendidas e transformadas em políticas públicas e com isso vamos reduzir gasto de energia, combustível, fazendo uma maior aproximação entre quem e produz e quem consome. Vamos também assegurar uma maior diversificação dos alimentos em respeito ao tempo de safra dos vários produtos”, exemplificou e finalizou sua fala durante o 6º Encontro da Rede de Estudos Rurais na Unicamp de Campinas.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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