PLASTICULTURA

Estufa desaba com tempestade de verão

Especialista analisa a queda da estufa e orienta como construir com técnicas de construção a partir de uso de materiais mais específicos e aconselha produtores que gostariam migrar de cultura

Marcel Menconi - Dezembro 2013 - Edição 143 - FOTOS:Marcel Menconi


Uma forte chuva atingiu o bairro dos Pires na noite do dia 4 de dezembro. No Pires de cima muita lama correu pela pista e invadiu até tanques de armazenagem de água. Nos Pires de Baixo a chuva e os ventos puseram abaixo a estufa que estava no início do cultivo de hortaliças no sistema hidropônico. Para tentar analisar o que de fato ocorreu com essa estufa, mostramos as fotos ao professor Fernando Sala, especialista no cultivo de hortaliças da Universidade de São Carlos, do Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), do campus da cidade de Araras. Baseado nas fotos, Fernando nos respondeu alguma perguntas, tirando dúvidas e orientando com dicas para a montagem de uma nova estufa. Confira abaixo;

Jornal Pires Rural: Qual foi o principal erro na construção dessa estufa?
Fernando Sala:
Na construção dessa estufa foi usada madeira não tratada. Sugerimos fazer o uso de madeira tratada ou de ferro galvanizado. Além disso, aconselhamos procurar um lugar da propriedade "menor incidência" de ventos. Se há local com quebra de vento natural, minimiza o problema.

Jornal Pires Rural: Existe uma maneira “caseira” de construir uma estufa e o que se deve levar em consideração?
Fernando Sala:
Pode ser feita de forma caseira sim, usando inclusive madeiras e ou bambu como arco, para colocar na proteção ao invés de arco de metal. Porém, deve ser muito bem feita, adotando práticas que evitem o desabamento com pouco vento. O fato importante aqui, é que pode ser "caseira", porém, deve partir de uso de materiais mais específicos e com uso de quebra vento ou local de menor incidência do mesmo. Como a estufa é caseira, ela é mais propícia aos ventos. Analisando visualmente apenas as fotos, é difícil definir o que de fato ocorreu aí nos Pires. Será que o problema não foi acúmulo de água sob o plástico? Ou seja, a água foi empossando sobre o plástico e com o peso, veio abaixo. Parece-me isso. Para evitar que aconteça novamente sugiro fazer o uso de arcos mais próximos um do outro e usar o plástico bem esticado para evitar o acúmulo de água sob o teto da estufa.

Jornal Pires Rural: Qual a melhor maneira de prender os arcos? Em canos ou em troncos junto ao solo?
Fernando Sala:
O ideal não é prender ao solo. Isso é apenas para túneis baixos de plásticos e não em estufas altas. A melhor maneira de prender os arcos é em troncos, porém, antes de prender diretamente no tronco, há um "encaixe de cano" onde o arco entra.

Prof. Fernando não descarta a possibilidade da água da chuva ter empossado pesando no teto e fazendo a estufa desabar


Jornal Pires Rural: Quanto às bancadas, elas podem ser de bambu gigante? Existe algo mais prático?
Fernando Sala:
Pode, porém recomendo madeira tratada como usamos aqui no Centro de Ciências Agrárias. Acredito que a durabilidade do bambu, é pequena e em breve, terá de trocar. Entretanto, como disse, pode ser usado.

Jornal Pires Rural: O cultivo hidropônico em bancadas tem alguns segredos, a altura dessas bancadas referente ao solo influencia no desenvolvimento das plantas?
Fernando Sala:
Isso não tem problema. O ideal é que a queda de água seja em torno de 6 a 9%, ou seja, a bancada deve ter essa porcentagem de queda. Se o terreno onde foi instalada a estufa não permite essa inclinação, recomenda-se "cortar a bancada ao meio" diminuindo seu tamanho.

Jornal Pires Rural: Prof. Fernando, você tem conhecimento quanto a financiamentos para o agricultor familiar iniciar o trabalho com hidroponia?
Fernando Sala:
Não sei se existe específico para hidroponia, para estufa sei que tem. Deixo a dica que a hidroponia poderia vir junto, montado diretamente dentro da estufa.

Jornal Pires Rural: Qual a recomendação que deixa para agricultores que querem migrar da citricultura para o cultivo de hortaliças. Qual forma de cultivo é mais indicada: o sistema hidropônico ou o convencional de canteiros ao ar livre?
Fernando Sala:
No canteiro ao ar livre é mais "fácil", apesar de ter mais perdas. O cultivo hidropônico exige técnicas mais aprimoradas e o produtor, enquanto não "aprender" o processo irá depender da consultoria de um engenheiro agrônomo ou técnico especializado. O cultivo hidropônico é altamente tecnificado. Isso vai depender claro, do nível tecnológico de cada produtor.

Jornal Pires Rural: Que importância tem a busca de conhecimento para o agricultor que deseja começar em uma nova cultura? Por onde começar?
Fernando Sala:
A busca por uma nova cultura por parte do produtor significa que ele quer "mudar e diversificar" e isso é fundamental e extremamente necessário nos dias de hoje. A crise da citricultura já era anunciada há anos. Alguns produtores, prevendo essas mudanças, partiram para a diversificação. Entretanto, isso exige do agricultor uma postura de “querer mudar”, buscar coisas novas, novas tecnologias, estar atento as exigências e necessidades do mercado. Acredito que o “querer mudar” é o primeiro passo, entretanto, para começar a andar, outros passos precisam ser dados, ou seja, devemos buscar e almejar essa mudança. Importante destacar que a mudança não é apenas na forma e cultura a produzir, mas exigirá conhecer o mercado que irá atender qual a forma de comercializar e ofertar sua produção, levando em conta que haverá concorrentes no setor. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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