AGRICULTURA FAMILIAR

Produtora de gengibre insistiu na produção inovando e partindo para cultivo orgânico

A produção e beneficiamento do famoso gengibre orgânico, fica no sítio Recanto da Paz da Sra. Yoriko Kamiyma, carinhosamente conhecida como Ane. Sua família, aposta na produção de gengibre há décadas. Com as dificuldades de vender toda a produção in natura por um preço justo e a perda em consequência da doença fusarium, causada por um fungo no solo, levou Dona Ane a fazer a transição da produção convencional para a produção orgânica.

Edição 174 - Julho 2015

família Kamiyma produtores de gengibre
Um fungo no solo, levou Dona Ane a fazer a transição da produção convencional para a produção orgânica.
Em Ubatuba fomos conhecer a produção e beneficiamento do famoso gengibre orgânico, no sítio Recanto da Paz da Sra.Yoriko Kamiyma, carinhosamente conhecida como Ane. Sua família, aposta na produção de gengibre há décadas. Com as dificuldades de vender toda a produção in natura por um preço justo e a perda em consequência da doença fusarium, causada por um fungo no solo, levou Dona Ane a fazer a transição da produção convencional para a produção orgânica. Depois dessa atitude de coragem e determinação, 80% da produção é beneficiada em produtos derivados de gengibre com pontos de venda em São Paulo, além da participação em eventos como Agrifam e Bio Brazil Fair, Feira Internacional de Produção Orgânica e Agroecologia.

A família Kamiyma fez parte do primeiro pool de produtores de gengibre para exportação, no Brasil, na década de 80. Na época, o país ainda estava iniciando um processo democrático e dando início a investimentos para crescer. “A última vez que que exportamos foi em 2008. Foram 150 toneladas/ano, nesta época fomos surpreendido com a doença que sacrificou toda a produção. Tínhamos muitas perdas, o volume de produção era muito e parte ficava na roça, não tínhamos onde escoar toda a produção. Naquela época a população não tinha conhecimento dos benefícios da planta para a saúde. Devido às exigências do mercado para exportação como tamanho, qualidade, o padrão exigido traz muitas perdas na roça. Eu avalio que nesta época o país estava fechado para que os cientistas brasileiros tivessem incentivos para trocarem experiências em outros países, a troca de conhecimento não acontecia”, conta Ane.

O gengibre têm origem na Índia e China, se espalhou por toda a Ásia. No Brasil foi introduzido pelos holandeses. Com a produção em larga escala, a doença tomou conta das propriedades. Sem controle, a doença provoca “amarelação” lenta e seca das folhas, a planta apodrece, a perda é total. Dessa época pra cá, a família não desistiu. O planejamento da diminuição nas aplicações de agroquímicos foi levado a sério. “Fomos aprendendo a transição do cultivo convencional para o cultivo orgânico. Foi a melhor solução porque quem insistiu na produção convencional perdeu tudo. Reduzimos a área de plantio, vimos que a planta in natura não tinha futuro”, conta.

Em 2006, Dona Ane deu início ao beneficiamento de gengibre em sua própria cozinha. Hoje, investiu na agroindústria e processamento do gengibre em alimentos como sorvetes, bolos, conservas, polpa, patês, biscoitos champagne e sequilho; licor e xarope, desidratado para chás, pó, temperado tipo aperitivo. Emprega quatro pessoas na propriedade e quando participa de eventos contrata diaristas.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
O início ao beneficiamento de gengibre foi em sua própria cozinha

Em 2006, Dona Ane deu início ao beneficiamento de gengibre em sua própria cozinha, hoje, investiu na agroindústria.


Solo
A propriedade apresenta dois tipos de solo, o turfoso e o de argila branca. “O solo da propriedade é o turfoso e a tabatinga. O turfoso contém muito material orgânico que impede um pouco a penetração da água. O turfoso é melhor que o arenoso para produção agrícola. O solo arenoso é o mais comum na região”, explica Dr. Eduardo A. Drolhe da Costa, pesquisador científico da CATI em Ubatuba.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Dona Ane é uma colaboradora das pesquisa acadêmicas, abrindo a propriedade para as universidades, cedendo espaço, demonstrando interesse e acompanhando os resultados das pesquisas no melhoramento da agricultura no país. “Até o presente momento não havia sido realizado nenhum trabalho de identificação molecular de espécies do gengibre. A Universidade de São Paulo iniciou um trabalho de coleta de dados para identificação molecular na propriedade da Dona Ane. Há dois anos estão trabalhando na constatação da resistência. Neste ano foram cultivadas 10 das 50 espécies plantadas inicialmente, a primeira pré seleção para chegar numa variedade resistente”, disse Dr. Eduardo. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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