HORTIFRUTICULTURA

Melancia sem semente e
a cebola que não faz chorar

A maior feira de exposição de produtos do ramo da hortifruticultura foi realizada novamente na cidade de Holambra - SP.

Edição 199 | Holambra, Junho de 2017 | Ano XII

cebola branca Dulciana

Pesquisado pela empresa durante 24 anos está a cebola branca Dulciana


Como anualmente acontece, a exposição técnica de horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas, a Hortitec chegou em sua 24ª edição em meio a um ponto de interrogação quanto a viabilidade de investimentos no setor, devido ao atual cenário político-econômico brasileiro. Investir em hortaliças custa caro, o risco é elevado e sua rentabilidade pode ficar comprometida sem uma minuciosa gestão, é assim que especialistas do setor avaliaram a sustentabilidade econômica do negócio em estudo apresentado na edição da feira. Entretanto, para aliviar um pouco as notícias, vamos às novidades apresentadas neste ano no evento. Parecendo estar com o 'freio de mão puxado', talvez pelas incertezas de futuro, os expositores apresentaram poucos lançamentos, os maiores destaques ficaram para a melancia sem semente e a cebola 'que não faz chorar' introduzida pela multinacional Bayer.

Guilherme Hungueria da área de Marketing Brasil da Bayer, formado em Engenharia Agronômica na ESALQ, em Piracicaba, nos detalhou um pouco sobre o material que sua empresa trouxe, como as variedades de tomates Pizzadoro, que há 10 anos está como padrão de mercado saladette, sendo ideal para consumo in natura, molhos caseiros e tomate seco, e agora ganhou mais dois companheiros o tomate Arendell e o Totali, variedades com genéticas 100% brasileira, “foram produtos melhorados durante 10 anos, na estação de pesquisa da empresa em Uberlândia (MG). Eles estão totalmente adaptados ao nosso clima, visando o produtor rural brasileiro plantar e encaixar na sua lavoura que vai obter sucesso”, observou Guilherme. As alfaces apresentadas para o cultivo em hidroponia é da qualidade crespa, sendo nas colorações verde (Bataille) ou roxa (Naide), “são nossos primeiros materiais chegando nas alfaces. No Brasil, somos uma empresa nova em alfaces”, disse.

Cebolas
As cultivares de cebolas trazidas pela empresa ganharam os nomes de Mata Hari para a qualidade roxa e Dulciana para a branca. De acordo com o agrônomo, a cebola roxa é um produto referência das variedades híbrida no Brasil, tem uma excelente aceitação de mercado, “elas são cultivadas em Irecê e Cafarnaum na Bahia, também no Rio Grande do Norte e Paraíba, todas de clima quente”, frisou. Pesquisado pela empresa durante 24 anos entre estudos, testes, cruzamentos, avaliações de paladar e produção está a cebola branca Dulciana, Guilherme relata; “Visualmente, se compararmos esta cebola com uma outra de mesma semelhança, não encontraremos diferença. O que faz ela ser diferente é sua biologia, ela produz menos ácido pirúvico, que é o acido que provoca a experiência ruim ao cortar a cebola; o olho lacrimejar ou ficarem vermelhos, quem cortou cebola já sabe. Como ela produz menos ácido, a quantidade que ela apresenta não é suficiente para fazer a pessoa chorar. Para o produtor não muda nada, o manejo é o mesmo que outras espécies da planta. Ela já está sendo cultivada há 3 anos, mas agora que está atingindo seu crescimento exponencial. Além de ser plantada no nordeste, a Dulciana está sendo cultivada em São José do Rio Pardo, Monte Alto, em regiões relevantes produtoras de cebola do estado de São Paulo”, explicou.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
melancia sem semente

"Guilherme Hungueria da área de Marketing Brasil da Bayer, relatou como foi desenvolver essa fruta, durante 10 anos de pesquisas; “essa fruta está chegando no mercado como uma melancia com menos sementes. Na verdade o que ocorre é que ela não tem sementes viáveis.


Melancia
Após a degustação da melancia sem semente, a percepção é de uma fruta de consistência firme, não esfarela na boca, como acontece normalmente com as melancias comuns e por ser sem semente tem um sabor mais adocicado, e o melhor de tudo - alguns podem até gostar e fazer bem pra saúde - não ter a surpresa de morder as amargas sementes, que roubam o sabor suculento da parte vermelha e carnuda das melancias. Guilherme relatou como foi desenvolver essa fruta, durante 10 anos de pesquisas; “essa fruta está chegando no mercado como uma melancia com menos sementes, porque vai que você encontre aquelas sementes branquinhas. Na verdade o que ocorre é que ela não tem sementes viáveis. Trouxemos esse produto para o Brasil, porque percebemos que isso é uma tendência global. Na Espanha essa melancia já é largamente comercializada, aqui estamos levando para os supermercados e fazendo degustação com os consumidores, através dos parceiros (produtores e comércios), para que as pessoas entendam e conheçam o produto. Sua casca escura, difere do padrão que o consumidor está acostumado para essa fruta. Nossa empresa está fazendo toda a triangulação para que o produto chegue até o consumidor com qualidade e informações. No Rio Grande do Sul obtivemos um resultado excelente. Em Porto Alegre, começamos em dezembro, com uma divulgação intensiva, tivemos sucesso na experimentação e compra, depois um alto índice de re-compra; consumidores que voltaram até a loja para adquirir novamente o produto”, revelou Guilherme.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Para o produtor, a particularidade do manejo com essa melancia, está na hora de fazer o plantio pois, deve-se intercalar a roça com variedades de melancia com sementes e as sem semente, “devido ser uma variedade estéril ela necessita da outra para polinização das flores”, alerta Guilherme. Em termos de volume de produção a melancia sem semente vai depender muito da variedade plantada com sementes, “a produção é proporcional, às vezes um pouco menos, só que o produtor vai ter um preço de venda maior que a variedade comum. É um valor agregado, você sabe a qualidade, mais firme, muito doce, variação de peso entre 6 a 12 kg, essa é a proposta do produto. Além do tamanho ser fácil para o consumidor conseguir carregar, ela acaba sendo mais econômica, pois não tem desperdício do produto. Ela acabou de chegar no mercado de São Paulo, capital, nesse mês de junho, e logo mais chega no interior do estado. Temos 10 melancias aqui para mostrar, se abrir as 10 não sobra uma, ajuda sua característica biológica em ser muito doce”, conclui Guilherme.
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