TECNOLOGIA PARA OLERICULTURA

Viveiro de mudas nasceu ao acaso, investiu em tecnologia, mantém uma equipe jovem e se transformou numa empresa agrícola

IBS Mudas, em Piracicaba, sediará dia 27 de julho, o 6º Encontro de Produtores de Hortaliças
das 13h as 19h

Edição 169 - Maio 2015

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A IBS nasceu de um acaso, sem previsão. Assim conclui Isaltino Bicudo Sampaio, o fundador. Localizada em Piracicaba, é uma referência regional em produção de mudas de hortaliças devido ao investimento em tecnologia para folhas. São 8.000 m de estufas, dezoito funcionários, três consultores sendo nas áreas jurídico, tecnologia da informação, recursos humanos e comercial. Segundo o fundador, a IBS não é uma empresa grande, mas é uma estrutura sofisticada.

Em 1992 Sr. Isaltino recebeu um cliente em sua agropecuária para comprar sementes de pepino. Tratava-se de um agrônomo produtor de pepino que fazia mudas para um colega, estava de mudança para São José do Rio Preto onde assumiria a secretaria da Agricultura. “Naquele dia, o agrônomo me disse que de agora em diante eu produzisse as mudas de pepino. Assim comecei com um cliente. Fiz uma estufinha de 20 m. Fazia uso de sementes nuas. As primeiras mudas deram certo. A sequência foi impulsionada por uma pessoa de Laranjal Paulista, fazia Ceasa, passou na loja, comprou uma latinha de sementes de couve- flor e me pediu pra que eu plantasse. Eram 10.000 pés. Que sufoco!”, recorda.

Pedido feito, acordo aceito. A família toda foi reunida no domingo pra semear bandejas. Não precisou nem de pulverização. A entrega foi feita pessoalmente no Ceasa. A notícia se espalhou por todo o entreposto. As encomendas cresceram. Foi necessário apostar em mais uma estufa. Com o crescimento do plantio chegaram as pragas. "Eu recusava pedidos por causa das pragas. Os produtores me orientavam a não desistir, indicavam os produtos e assumiam o "conserto" na horta. Assim caminhamos por uns quatro anos, instruídos pelos produtores. Não existia especialistas em hortaliças. Recebemos visitas de técnicos do IAC, Esalq, não tinham respostas para nossas perguntas", conta.

As dificuldades do setor dificultava muito a produção e exigia mais investimento em mão de obra. Os insumos deixavam a desejar, as sementes que vinham com dormência não nasciam, o substrato vinha com casca de pinus verde, muitas vezes o saco chegava quente com o produto em decomposição. A família buscava informações mas o sucesso acontecia só nos Estados Unidos. Os viveiros de Mogi das Cruzes foram aumentando então, as empresas começaram enxergar a demanda local.

“À partir de 1995 as sementes peletizadas chegaram ao mercado. Nessa época todos agricultores que tinham horta mantinham um viverinho de mudas junto com a plantação. Em 1996, procurei a Esalq para uma resposta em relação a manter a produção de hortaliças rodeado pelo canavial. A resposta foi positiva, a contra indicação é manter um viveiro dentro das hortas. Aí me animei. Com as sementes peletizadas veio a máquina de plantio manual. Passaram-se 10 anos. O negócio se desenvolveu mesmo à partir do ano 2000", lembra.

Nessa época a academia, as empresas de sementes, o mercado já havia enxergado o potencial do setor. A Esalq promoveu um evento, um dos assuntos foi a produção de hortaliças, onde o palestrante orientou que o agricultor não produzisse mais mudas junto da horta. “Essa orientação norteou a produção de mudas, ou seja, os agricultores fizeram a opção por produzir muda de hortaliças ou ter horta”, observou.

Nessa época também a família se reuniu por um motivo muito importante, parar ou continuar no setor. Os filhos Marcos e Maurício optaram por continuar. “Então, eu disse a eles que não continuaria mais nesse sistema. Iríamos inovar e nosso diferencial seria a qualidade e o investimento em tecnologia de ponta. Havia ganho um folder da Holanda com a ilustração de uma estufa automatizada com barra de irrigação. Era exatamente aquilo que eu queria para produzir alface. A empresa que fez a minha estufa não sabia instalar a barra, eu insisti, assumi os riscos e deu certo. Ai o mercado nos enxergou”, suspira.
autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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O investimento em mão de obra na agricultura chega a 30%, enquanto a indústria consegue trabalhar com uma margem de 23%

Investir R$ 400.000,00 em estufa para a produção de alface, atitude considerada de alto risco pela concorrência pois esse tipo de investimento é bem comum para produtores de pimentão, couve-flor, brócolis, por exemplo, um alimento com valor agregado. Mas a IBS preferiu continuar com o investimento alto para produção de folhas. A tecnologia diminui muito o investimento em mão de obra e oferece um produto de qualidade indiscutível.

Segundo Marcos Sampaio, o investimento em mão de obra na agricultura chega a 30%, enquanto a indústria consegue trabalhar com uma margem de 23%. Quando se investe em tecnologia emprega-se pessoas muito mais qualificadas para cuidar das máquinas. Já o nível salarial tende a custar mais. "Quando começamos empregar pagávamos salário mínimo. Empregamos jovens, primeira experiência de trabalho. Percebi que os jovens resolviam as tarefas, mas não permaneciam na empresa. Aumentamos o salário inicial para R$ 1.500,00. Hoje a nossa equipe de trabalho é basicamente jovem", explica Marcos.

A empresa foi definindo funções, a equipe aumentou, a produção cresceu, até que as dificuldades do crescimento ficaram reais como a amizade com os funcionários, necessidade de informatização, a centralização nas decisões. Chegou a hora daquela reunião em família para a perguntinha mágica, deixar de ser um negócio da agricultura familiar ou ser uma empresa? Mais uma vez a família não arredou pé. “Seremos uma empresa agrícola”, conta Marcos.
A IBS conquistou o mercado. É referência na implantação de oito novos viveiros no Estado como modelo. Qual é o segredo para o sucesso? “Se o cara não for da agricultura, não encara”, define Isaltino Sampaio Bicudo.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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