GENTE EM LIMEIRA

As mudanças foram ocorrendo por necessidades

"Eu tinha que mudar"

Edição 158 - Setembro 2014

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Se a história do povo brasileiro é uma história de migrações por causa da inconstância dos ciclos econômicos e de uma economia planejada independentemente das necessidades da população, o tema é merecido. Portanto, dando sequência ao espaço para o tema "Limeira, terra de migrantes", revelando histórias de pessoas que migraram para Limeira, encontramos Edilson Netto Guglielmeli, artista plástico, com formação superior em agronomia, está em Limeira há 1 ano e 3 meses, disse não ter “expectativas porque não dependo da cidade pra trabalhar”, mas “já tenho a sensação de estar em casa”, falou.

Edilson Netto Guglielmeli sempre esteve de mudança. Saiu da cidade do Rio de Janeiro aos 16 anos para a cidade de Barbacena, fazer o curso de Técnico Agrícola na Escola Agrotécnica Federal de Barbacena, MG, Colégio Agrícola Diaulas Abreu; fundado em 1910. De lá pra cá não vê dificuldades em migrar de cidade ou estado. Concluiu o curso técnico, foi estudar na Universidade Federal de Viçosa, MG, no curso de Agronomia. "Fiz Agronomia por amor a jardinagem. Na época não existia especialização na área. O curso de Agronomia oferecia apenas duas disciplinas optativas no currículo, jardinagem e floricultura. Tratava-se da produção de flores e como planejar, desenhar um jardim, matéria muito mais ligada ao curso de Arquitetura", conta.

Concluído o curso de Agronomia Edilson migrou para a cidade de São Paulo, contratado pela empresa indústria e comércio Guarany como responsável técnico agrícola. "A empresa tinha uma fazenda em Araçariguama, onde mantinha um viveiro de mudas, pois, também oferecia serviços de jardinagem e paisagismo. Não consegui atuar neste setor porque ocupava o cargo de responsável pela área agrícola, quem cuidava da jardinagem era outra pessoa. Pra mim foi muito difícil e frustrante estar numa empresa de jardinagem e não poder atuar depois de ter esperado por isso, porque naquela época não era comum empresas de jardinagem", lamenta.
Ainda em São Paulo, descobre que a opção por jardinagem o levara a criação artística, depois de algum tempo, passa a investir no curso de aquarela por insistência dos amigos. "Estudei aquarela, artes plásticas, enveredei para a marcenaria. Mudei-me pra Curitiba, PR, permaneci até início de 1990, quando fui para a ilha de São Francisco do Sul, SC, fiquei morando na casa da Dona Ana, avó de Fernando, um amigo. Passei uma experiência e tanto vivendo com uma pessoa de um valor espiritual valioso, se estivesse viva, estaria com 100 anos. Voltei pra São Paulo. Descobri que sou urbano, gosto de São Paulo, as pessoas se juntam, são acolhedoras numa cidade com aquele tamanho e tantos problemas. São Paulo é mais acolhedor que Minas Gerias onde as pessoas são muito ligadas à família. Sendo estrangeira, fica muito mais difícil", conta.

Sobre as expectativas de planejamento pra migrar, o que se leva em consideração? A localização geográfica? Oportunidades de trabalho? Proximidade com amigos? Para Edilson, as migrações sempre tiveram diretamente ligadas a vínculos parentais ou de amizades. "Tinha parentes em Barbacena, MG. Queria sair de casa. Fui pro Colégio Agrícola interno, suportei toda a tortura pra quem sai de casa, uma vida familiar doméstica suburbana pra morar com mais 100 estudantes. Fui pra Viçosa, MG, porque era a melhor escola de agronomia do Brasil. As mudanças foram ocorrendo por necessidades, eu tinha que mudar. Curitiba, PR e São Francisco do Sul, SC, foram mudanças motivadas por amizades assim como Limeira, SP", conta.
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São Francisco do Sul 1991: expêriencia com textura, cores e formas

Em Limeira há quase um ano, motivado pela amizade do amigo Antônio e também por um custo de vida menor que a capital, a proximidade para se deslocar em função dos trabalhos de artes plásticas, Edilson não veio com expectativas em relação à cidade. Trabalha em seu ateliê, em casa, portanto não tem necessidades de fazer contatos. “Vim pra Limeira sem expectativas porque não dependo da cidade pra trabalhar tampouco pra criar uma expectativa de trabalho ou que Limeira absorvesse o meu trabalho. Não dependo dessa troca. Isso me deixa muito mais livre pra ter a relação com a cidade, sem exigências. Sinto-me acolhido aqui. Penso em criar uma vida dentro da cidade, porque existe muitos mundos dentro de uma cidade. Já tenho a sensação de estar em casa", conclui.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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