PRODUÇÃO FAMILIAR

Na feira tem...

A Feira do Produtor Rural de Limeira une diversas famílias de produtores promovendo o bem comum. Relatamos aqui um pouco da história procurando abordar aspectos culturais, produtivos e gastronômicos desses produtores-feirantes

Edição 155 | Limeira, Agosto de 2014 | Ano X

Seu avô foi “inspetor de quarteirão” na área rural de Limeira

Adriana tem total dedicação na maneira de preparar artesanalmente os quitutes, sempre antenada nas novidades para surpreender a frequesia


Quando a ONG Viva Pires montou o projeto Feira do Produtor Rural, a expectativa era de que seria um marco para o produtor, pois o objetivo visava que ele pudesse tirar o sustento de sua família com o fruto do trabalho em sua propriedade. Após o primeiro dia de Feira, todos experimentaram a sensação do resultado: uma aceitação enorme por parte dos limeirenses que a cada quarta-feira, prestigiam com sua presença na busca dos produtos fresquinhos, de qualidade que os produtores oferecem. Para um contato mais próximo entre clientes e produtores e não causar um tumulto pela área rural vamos contar um pouco de suas histórias, de sua terra e da trajetória familiar de cada feirante, aqui nas páginas do Jornal Pires Rural.

Adriana Fonsaca mora no bairro dos Pires há 16 anos. Seus avôs, Estephano Fonsaka e Joanna Soaki Fonsaka, descendentes de poloneses, decidiram deixar a colônia Muricy, em Curitiba (PR), e vir para Limeira, através do convite da família Bonk. Quando aqui chegaram se fixaram em uma propriedade no bairro das Areias, na estrada da balsa, divisa com Americana. O avô Estephano Fonsaka, chegou a ser “inspetor de quarteirão”, título outorgado para aquelas pessoas que eram especiais na comunidade rural, pessoas inteligentes, que podiam mediar conflitos entre casais, entre vizinhos e tinham ligação direta com o delegado na área urbana. Hoje, Adriana leva até a Feira do Produtor Rural de Limeira, delícias da culinária tradicional caipira, resgatando receitas que eram preparadas cuidadosamente pelos antigos. Adriana tem total dedicação na maneira de preparar artesanalmente as guloseimas, assim, como um toque de mágica, brotam roscas doces, pães integrais, pães de mandioca, de batata, o famoso pão de torresmo, pães salgados recheados, pizzas pré-assada, tortas doces e salgadas, a cada quarta-feira uma novidade é prepara para oferecer aos clientes da Feira.

Com a venda de melancias compraram o sítio em Tatu

Luciano, Gislaien e Zenaide: gado de leite, criação de aves, milho e a horta


Gislaine Fonsaca, prima da Adriana, casou-se em 2010 com Luciano Dainese, morador do bairro do Tatu, em Limeira, e o casal está na Feira do Produtor Rural comercializando sua produção de hortaliças. A família Dainese de descendência italiana conserva alguns costumes de seus antepassados, sendo inclusive uma das responsáveis por organizar a Festa Italiana de Limeira que acontece tradicionalmente no bairro do Tatu. “É tradição da família se reunir na casa em que meus avôs moraram para o almoço de Natal. Nesse momento aparecem mais de 50 pessoas dos Dainese”, diz ele. Segundo Luciano, foi do rendimento do plantio de melancias que seus avôs compraram a terra, onde mora, no bairro do Tatu, isso há 60 anos. “Meu pai conta que certa vez fizeram um negócio com uma lavoura de melancias que estavam grandes, coisa mais linda, na noite anterior às entregas, caiu uma chuva de ‘pedras’ e acabou com tudo. O negócio dava pra, quase, comprar outro sítio. Depois veio o plantio das laranjas, as terras foram divididas entre herdeiros e nós temos gado de leite, criação de aves, milho e a horta”, explicou Luciano. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Atendendo aos clientes em busca de alimentos saudáveis

Lisbet e Lutero, herdeiros das famílias alemãs que imigraram para o Brasil por volta de 1853.


Os irmãos Lisbet e Lutero Gustavo Schnoor, também fazem parte da Feira do Produtor Rural, expondo seus produtos toda quarta-feira, a partir das 16 hs. Eles são herdeiros das famílias alemãs que imigraram para o Brasil por volta de 1853. Eram as famílias Ivers, Greve, Schnoor e Jurgensen. Lutero conta que seu bisavô, Guilherme Jurgensen, fez parte da primeira diretoria da Igreja fundada em 1873, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana no Bairro dos Pires. “Eu fui presidente dessa Comunidade entre 1996 e 2000 e meu pai de 1965 até 1972”. Um fato curioso, destacado por Lutero, é que até 1978, os pastores que trabalhavam na Igreja dos Pires, vinham da Alemanha para o Brasil, exclusivamente. A ligação da família Schnoor com a terra vem desde quando seus familiares compraram lotes no bairro dos Pires com as economias feitas trabalhando na Fazenda Ibicaba. “Um fato interessante, quando se observa os mapas antigos das propriedades nos Pires, percebe que todas as áreas começavam em uma área seca de terra e iam até o ribeirão dos Pires. Todo mundo tinha água do rio, eles se dividiram pela margem direita e esquerda e ninguém ficou sem água. As terras também não eram limpas, eles tiveram que ir desmatando aos poucos, limpando e implantando suas lavouras como o arroz, feijão e milho para subsistência e o café para ter renda” destacou Lutero. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Nestes exemplos percebemos como o trabalho com a terra motiva e desperta o homem para novos desafios. Muito diferente da facilidade tecnológica de hoje em dia que aumenta a distância e a falta de convivência entre as pessoas, criando uma apatia na sociedade em especial nos nossos jovens.
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