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A história da família que produz o seu alimento

Família Tarôco, produtora de queijos Minas Artesanal
Dezembro 2017

Família Tarôco, produtora de queijos Minas Artesanal

A ONG Viva Pires valoriza a agricultura familiar e a permanência do homem no campo. Através do Projeto “A história da família que produz seu alimento” a entidade registra e faz história. Acompanhe a memória desses causos pelas redes sociais (Facebook: @ongvivapires)

A família Tarôco começou a produzir queijos em 2013. A produção de leite é uma tradição na família, são 250 litros por dia com ordenha mecânica, o preço do litro do leite sempre está abaixo do que realmente vale para que o produtor compense todo o trabalho e investimento - o preço pago pela cooperativa não passa R$ 1,00 o litro. O amigo e vizinho que mora em Coronel Xavier Chaves (Coroas), produtor de queijo Minas Artesanal há 20 anos, incentivou a família usar o leite para fazer queijo e ter melhor retorno.

A família faz parte do Projeto “Colônia Viva”, na zona rural de São João Del Rei-MG. O Projeto de turismo rural reúne produtores que também oferecem restaurantes, café da manhã, suco de frutas frescas, massas, geleias, cachaças, fubá, feijão, embutidos e carne de porco na lata. O “Colônia Viva” divulga o roteiro turístico rural e leva os produtores para expor seus produtos em feiras, além do município.

“No início, eu usava somente o leite da manhã para fazer os queijos. Meu filho fez o projeto de um pequeno laticínio, investimos e contratamos dois funcionários depois de fazer o curso pela Emater. Mas, foi muito difícil porque não conseguimos treinar os funcionários, explicávamos, eles diziam que entendiam mas, quando íamos conferir o trabalho estava tudo errado. Desistimos e paramos com a produção por quatro meses. O laticínio estava pronto, feito o investimento e não tínhamos mão de obra pra tocar. Um dia eu parei, pensei e tomei uma decisão, tocar o laticínio sozinha. Falei com a família e eles concordaram. Eu tinha em mente que se eu conseguisse tocar o negócio poderíamos prosperar. Comecei fazendo dois queijos por dia e fui aumentando para quatro. Percebemos que estava dando certo e hoje estou produzindo 24/25 peças por dia. É um serviço demorado. Chego no laticínio às 6:00h e saio as 9:30h pra cuidar da casa e do neto e servir o almoço as 11:30h para a família”, ela descreveu.

O casal Eurico e Trindade tem três filhos. Os filhos homens são formados em engenharia elétrica um está em São Paulo, o outro está se formando Major da Aeronáutica em Belo Horizonte e a filha Joelma deixou o trabalho na cidade para se dedicar ao laticínio com os pais. “Eu disse a ela, o que eles lhe pagam lá (na empresa) eu pago o mesmo aqui. Ela entende de internet, faz serviço de banco e assim organizamos o negócio”, contou o pai Eurico.

“Quando eu faço o queijo, deixo descansando por 5h, coloco o sal grosso. Aquele soro que escorre é o 'pingo' (soro com sal), eu separo para ser usado na próxima produção do dia seguinte. Então, para 100 ml de leite eu coloco 800 ml do 'pingo' e 30 ml do coalho. Misturo e espero 40 minutos para talhar. Em seguida quebro a massa bem fininha e espero mais 10 min. Em seguida, começo fazer o queijo”, revelou Trindade. O pingo, o leite cru e a maturação de 22 dias é o diferencial do queijo Minas Artesanal. O queijo não pode ficar em local abafado e nem embalado porque o queijo maturado tem que transpirar. O queijo Minas Artesanal só pode ser comercializado depois de completado o tempo de maturação.

Em 2014, o Projeto Colônia Viva levou os produtores para conhecerem as experiências de produtores italianos dos estados do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul. “Aprendemos muito com as visitas. Os produtores nos aconselharam. É bom? É! Mas pra eles chegarem onde chegaram hoje, investiram por vinte anos sem a ajuda do Sebrae. Pra eles foi muito mais difícil mas, eles não desistiram e o grupo não se separou”, conta Trindade.

Dona Trindade estava certa quando tomou a decisão de retomar o laticínio e liderar a produção, pois, a prosperidade bateu a sua porta e neste ano o queijo Tarôco ganhou o prêmio Bronze no Concurso Estadual de queijo Minas Artesanal, da região Campo das Vertentes, em Tiradentes. Ao lhe perguntar onde quer chegar? Sua resposta é assertiva e real: “desde o mês de março, desse ano, as vendas já aumentaram com a visita de muitos turistas comprando o queijo na propriedade. Uso todo o leite para produzir queijos e, com o prêmio, acredito que a divulgação vai alcançar mais vendas”, concluiu Trindade.


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