RECURSOS HÍDRICOS

Cuidado com nossas águas

A utilização do solo para produção de alimentos deve seguir estritamente métodos pouco agressivos evitando assim as famosas erosões que formam verdadeiras valas, carregando o solo produtivo para o leito dos rios.

João Aparecido Santarosa, ex-secretário de agricultura de Limeira e representante de nossa cidade no Comitê de bacias hidrográficas PCJ - Edição 160

Foto:Marcel Menconi
O período de estiagem deste ano tem deixado muita gente preocupada com a redução das águas dos rios de nossa região. No entanto, comparada a anos anteriores, a diminuição das chuvas é resultado de ações do homem, ao longo dos anos. Interferências na natureza com desmatamentos desenfreados, barragens de hidrelétricas, lançamento de poluentes na atmosfera, entre outras ações são exemplos decorrentes da ação humana. Tudo justificado pela necessidade do “progresso”.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
O primeiro semestre de 2014 não apresentou os mesmos índices pluviométricos dos últimos 10 anos. Com isso, nos deparamos agora com o pouco volume de água em nossos córregos, rios e mananciais. É recomendável que a população urbana adote medidas urgentes para reduzir ao máximo o consumo de água, para não chegarmos a uma fase de racionamento, algo, que entretanto, poderá se tornar inevitável. Evitar irrigar jardins, lavar calçadas, carros, entre outras ações podem ajudar a poupar significativos litros de água. Consertar torneiras e encanamentos com vazamentos, e onde for possível, aplicar recursos para reuso de agua, como nas máquinas de lavar roupa, responsável pelo alto consumo de uma residência, podem ser medidas mais que acertadas para a economia. Por outro lado, o poder público deve coletar e tratar o esgoto que é lançado nos rios, evitando assim que outros municípios à jusante sejam prejudicados. Limeira já faz a sua parte quanto ao saneamento básico. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
A área rural, onde estão os principais riachos que contribuem para o abastecimento urbano, deve também ser objetivo de significativa responsabilidade. A utilização do solo para produção de alimentos deve seguir estritamente métodos pouco agressivos no que diz respeito à utilização de agrotóxicos e herbicidas. Deve-se adotar práticas conservacionistas para evitar assoreamento das nascentes, ou seja, plantio em linha de nível, “terraceamento”, além do respeito aos limites estabelecidos pelo Código Florestal e plantio de matas ciliares às margens dos ribeirões. Em propriedades de cultivo de cereais é necessário adotar técnica de plantio direto, evitando assim as famosas erosões que formam verdadeiras valas, carregando o solo produtivo para o leito dos rios. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Nesta época do ano, terraços e cacimbas devem estar totalmente renovadas para receber as chuvas tanto esperadas por todos nós. Armazená-las por mais tempo possível para que essas águas se infiltrem no solo e assim completem seu ciclo. O lençol freático será reabastecido, e com isso, aumentando o volume produzido pelas nascentes já no próximo ano. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Muitos podem pensar que com estas chuvas iniciais de novembro o problema de estiagem estará solucionado. Estejam atentos, pois, infelizmente, ele está apenas começando. Um exemplo próximo é o Sistema Cantareira, que abastece a grande São Paulo, e que deve demorar aproximadamente três anos para recuperar seu volume de água ideal. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Portanto, as medidas adotadas para economia de água devem continuar como uma cultura de uso racional a ser aprimorada, cada vez mais, por toda população. Especificamente em Limeira, temos o Ribeirão do Pinhal, o qual 95% de seu leito está dentro do nosso município e é utilizado no abastecimento da cidade. Quase toda sua extensão passa por áreas de agricultura e pecuária, onde os riscos de contaminação é muito grande, bem como locais onde o parcelamento irregular do solo tem seus esgotos e fossas negras descartados em suas águas. A água é um bem finito, e cabe a todo ser humano a responsabilidade pela sua conservação, tanto para os que vivem na cidade, como para os moradores da área rural.

Compartilhamos da obrigatoriedade de unir ações conjuntas que economizem seu uso e proteja os locais de mananciais, vitais para as nascentes dos rios e córregos. Água é vida. Educação Ambiental é fundamental para preservá-la. Com isso, garantimos um futuro melhor e mais consciente.
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