AGRICULTURA

Mandarová da mandioca

O mandarová tem desfolhado grandes plantios de mandioca e causado espanto entre os produtores

Edição 163 - Janeiro 2015

Foto:Marcel Menconi
Em um primeiro ataque as perdas chegam a 40%, já numa segunda infestação chegam a 60% de perdas
O mandarová da mandioca (Erinnyis ello) é uma das pragas mais nocivas dessa cultura, pela ampla distribuição geográfica e alta capacidade de consumo foliar, especialmente no estágio de lagarta. Este inseto tem-se apresentado somente nas Américas, onde tem desfolhado grandes plantios de mandioca. Na cidade de Limeira seu aparecimento em larga escala está ocorrendo agora, no início de 2015, sendo que alguns agricultores já foram alertados anteriormente, por técnicos, sobre a existência e a voracidade da praga frente a cultura da mandioca. Tem causado espanto aos produtores a quantidade de lagartas nos ataques as plantações e até atravessando estradas em seu deslocamento.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Segundo Carla Maria de Meo, engenheira agrônoma, chefe da Casa da Agricultura de Limeira, “acredito que essa praga não apareceu antes, aqui em Limeira, porque o cultivo de mandioca não era expressivo. Agora o inseto encontrou ambiente favorável nessas lavouras, sinal de que houve um aumento da plantação”. A lagarta pode causar severo desfolhamento, o qual, durante os primeiros meses de desenvolvimento da cultura, pode reduzir o rendimento e até ocasionar a morte de plantas jovens. "Em um primeiro ataque pode ocorrer perda da ordem de 40% e se ocorrer um segundo ataque severo, as perdas podem chegam em 60%, num mesmo ciclo de produção", alertou Carla.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
As fases do inseto vão de mariposa adulto (10 a 20 dias), ovos (3 a 4 dias ), como lagarta tem período de 15 a 18 dias em 5 estágios larvais (por isso o colorido das lagartas é o mais variado possível, havendo exemplares de cor verde, castanho-escura, amarela e preta, sendo mais frequentes as de cores verde e castanho-escura) e depois como pupa, período que leva cerca de 13 dias. O mandarová possui grande número de inimigos naturais que ajudam a reduzir sua população, “o agricultor deve fazer monitoramento para reconhecer a praga e encontrar o momento de controlar a infestação”, disse a engenheira. No início, a lagarta é difícil de ser vista na planta, devido ao tamanho diminuto (5 mm) e à coloração, confundindo-se com a da folha. Em áreas pequenas, recomenda-se a catação manual e destruição das lagartas. Pelo fato da existência de grande número de inimigos naturais, Carla recomenda o uso de inseticida biológico seletivo. “Pesquisei com algumas instituições e encontrei o inseticida biológico Baculovirus erinnyis, que é um vírus que ataca somente as lagartas, causando infecção nas larvas, levando-as à morte. Esse bioinseticida foi desenvolvido pela EPAGRI na década de 80. O bom dessa aplicação é que só vai fazer mal as lagarta, preservando outros insetos, principalmente os inimigos naturais da lagarta e outro fator é que podemos ficar autossuficiente no controle dessa praga, porque é possível fazer, coletando as lagartas depois de contaminadas, uma calda com elas esmagadas em um liquidificador e congelar por mais de três anos ou ir usando nas próximas safras” orientou. O controle da lagarta com a aplicação do bioinseticida vai ser eficiente quando for realizada no início do ataque da praga. Quando o agricultor detectar ovos na lavoura, deverá aplicar o Baculovirus uma semana após essa observação, ou quando encontrar, em média, 5 a 7 lagartas pequenas por planta. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
É possível a aplicação de outros inseticidas, inclusive de poder bacteriano, mas não é possível fazer a calda depois da morte das lagartas. “Estou recomendando o Baculovirus erinnyis, pois quero mostrar aos produtores que é possível o controle biológico para evitar a contaminação das pessoas com venenos na hora da aplicação, não atingir os inimigos naturais da lagarta e o mais agravante na aplicação de inseticidas convencionais, selecionar indivíduos cada vez mais resistentes aos venenos, pois trata-se de uma cultura nova em Limeira” destacou Carla. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Para a construção social e histórica desses conceitos, a agricultura familiar é o sujeito de toda essa historia. Maria diz “são eles quem vão praticar a agroecologia ou quem está buscando uma transição no modo de cultivo, tradicional para o sistema agroecologico, devido aos impactos sentidos na saúde e meio ambiente” exemplificou.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Para o preparo da “calda”, utilizar apenas as lagartas recém-mortas. As lagartas não usadas de imediato devem ser conservadas em congelador e descongeladas antes da aplicação. Deve-se proceder da seguinte forma para o preparo da “calda”: esmagar bem as lagartas infectadas, juntando um pouco de água para soltar o vírus; coar tudo em um pano limpo ou passar em peneira fina, para não entupir o bico do pulverizador; o líquido obtido (coado) está pronto para ser usado. Em cada 200 litros de água, colocar duas colheres de sopa (20 ml) do líquido coado para aplicação em um hectare de mandioca. O Baculovirus deve ser aplicado no final da tarde. autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Foto:Marcel Menconi
Estrago: no primeiro ataque sobraram as hastes e as folhas mais verdes e se foram as folhas mais novas

No caso de ataques contínuos do mandarová em uma região, recomenda-se a rotação de culturas, já que ao desaparecer o hospedeiro mais prolífero, diminui a população da praga. Inspeções periódicas das lavouras, identificando os focos iniciais, também tornam o controle mais eficiente.
Podem ainda ser utilizadas armadilhas luminosas para capturar as mariposas adultos, o que não constitui propriamente um método de controle, mas permitem diminuir as populações, além de fornecer dados para o conhecimento da flutuação populacional do mandarová, prevenindo o agricultor contra ataques intensos, o que ajuda a planejar melhor a aplicação das diferentes alternativas de controle.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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