AGRONEGÓCIOS

"O destino do Brasil é ser o campeão mundial da paz"

Palavras do ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues que apresentou o cenário da agricultura brasileira diante de uma economia globalizada.

Edição 185 - Dezembro 2015

Participando V SIM (Simpósio de Agronegócio e Gestão)
É a primeira vez na história universal que o mundo ‘diz' ao Brasil, ‘cresça 40%'.
O PECEGE (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas) trouxe ao V SIM (Simpósio de Agronegócio e Gestão), o ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues que apresentou o cenário da agricultura brasileira diante de uma economia globalizada. O evento foi realizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) e discutindo temas de sustentabilidade no agronegócio durante os dias 10, 11 e 12 de dezembro. Leia a seguir os principais tópicos da palestra do ex-ministro Rodrigues.

Espontâneo e bem humorado, Rodrigues iniciou sua palestra soltando piada com o dia e horário, “sexta-feira é o pior dia para uma palestra, as nove da noite então, eu tenho pena de vocês, deveriam estar no happy hour. Pode acender a luz da plateia, porque vocês dormem e eu não vejo, aí fica chato”. Talvez ele estava tentando ‘quebrar o gelo’ para expor números da realidade brasileira. O Brasil, juntamente com China, Índia, Estados Unidos e Rússia fazem parte de países que tem uma superfície agrícola acima de 140 milhões de hectares e um PIB maior que 1 trilhão de dólares. O maior potencial de exploração dessas terras está com o Brasil e a Rússia, segundo Roberto Rodrigues, “a Russia é um país complicado, com um regime político pouco confiável em termos de democracia, portanto, todos querem investir no Brasil. Não é a toa que semanalmente recebo no centro de agronegócios da Fundação Getulio Vargas, investidores estrangeiros querendo investir no agro brasileiro em logística, estrutura, agricultura, insumos, alimentação, equipamentos. Eles me perguntam ‘posso investir ou não está na hora ainda? A Dilma é confiável ?’ Eu respondo que não, evidentemente, mas eles virão porque o Brasil é um país adorável e há uma demanda crescente, somos cada vez mais consistente e competitivos no setor do agronegócio”, disse.

Agronegócio, de acordo com Rodrigues, é a soma das cadeias produtivas cuja a coluna dorsal é a atividade agropecuária. Cadeia produtiva se divide entre antes, dentro e depois da porteira da fazenda. No Brasil o PIB do agronegócio representa 24% do PIB nacional, gera um terço dos empregos do país, e movimentou 43% do valor das exportações. "Antes da porteira, representado pelos insumos, equivale a 12% de 24% do PIB nacional e todas as atividades da cadeias produtivas da agricultura somadas representa 29% do PIB nacional. O valor das atividades, depois da porteira, chega a quase 60%, eu considero o mais importante, pois onde é tem a maior agregação de valores. Esse números são características de países com agronegócio desenvolvidos”, comparou Rodrigues.

Os números apresentados, em gráficos, por Rodrigues, trazem resultados do saldo comercial brasileiro do agronegócio, nos últimos 10 anos, “é sistematicamente positivo e crescente, enquanto que os demais setores tem deficit, e números crescente enquanto deficit. Portanto o saldo comercial brasileiro só é positivo por causa do agronegócio, sendo ele quem salva o país”, declarou.

Quanto aos clientes, os países que compram nossos produtos, Rodrigues mostrou evolução no volume de compras de 2004 a 2014, e que nos anos da crise internacional (2008, 2009 e 2010) o Brasil não diminuiu suas exportações, pelo contrário, passando de US$ 39 bilhões para US$ 96,8 bilhões. "Isso mostra que a competitividade do setor é fantástica porque enfrentou a grande crise e continuou crescendo. Vendendo produtos como soja, açúcar e carne, o mundo está interessando em proteínas e energia, o que nós podemos produzir com grande competitividade” explicou. Rodrigues seguiu uma linha de pensamento dizendo que “os países emergentes, nos quais 87% dos nascidos, estão nascendo, tem uma renda per capita crescente três vezes mais que dos países ricos. Não é maior, mas a demanda por alimentos produzidos no Brasil, está transformando esses países em nossos principais mercados”.

Segundo projeção da ONU, teremos daqui 35 anos, 9 bilhões de pessoas no mundo e para alimentar essas população é necessário produzir 70% a mais do que é produzido hoje. Rodrigues disse que em sua opinião essa projeção é fantasiosa pelo motivo que as “previsões são feitas em cima das tecnologias que temos no momento achando o que poderá acontecer. Mas as inovações são tão gigantescas que provavelmente essa previsão não vai acontecer, portanto acho uma bobagem esse de 2050”, salientou. Entretanto, Rodrigues mostrou dados de uma projeção de que o mundo deverá aumentar 20% a produção de alimentos para atender o crescimento da demanda até 2020. “Essa previsão é pra que haja segurança alimentar. Existindo alimento é a única condição para que haja paz universal. Já dizia o único agrônomo que ganhou o prêmio Nobel em 1977, Norman Borlaug, ‘não haverá paz onde houver fome’. A ONU, responsável pela preservação da paz no mundo, briga para que haja segurança alimentar” contou e emendou, “o Brasil é o país que mais ampliará a produção, com previsão de aumento de 40% no período. É a primeira vez na história universal que o mundo ‘diz' ao Brasil, ‘cresça 40% para que possamos crescer 20% e com isso consigamos garantir a paz mundial. Isso é inédito porque o Brasil era visto com muito medo e resistência por seus concorrentes. Isso ainda é uma visão acadêmica, mas é ela quem ilumina os caminhos”, abordou. Aconselhou que esse fato é uma demanda inédita e um desafio que a ciência e para o empresário rural tem que olhar com mais atenção essa perspectiva.
Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
tema central do Simpósio de Agronegócio e Gestão

Os números apresentados, em gráficos, por Rodrigues, trazem resultados do saldo comercial brasileiro do agronegócio, nos últimos 10 anos


Sustentabilidade
O tema central do Simpósio de Agronegócio e Gestão foi abordado por Rodrigues analisando os fatos da integração lavoura - pecuária - floresta que está sendo implantado nas regiões norte e nordeste do Brasil, é o chamado “Plano ABC” (agricultura de baixo carbono), que visa difundir uma ‘nova' agricultura, sustentável, que reduza o aquecimento global e a liberação de gás carbônico na atmosfera. O programa ABC conta com recursos disponibilizados na ordem de R$ 3 bilhões, com limite de R$ 2 milhões por produtor, taxas de juros de 7,5% a 8% ao ano e carência de 6 anos e prazo máximo de 15 anos. “Esse programa, especificamente, está ajudando o lado leste da Bahia e Tocantins com auxílio de técnicos da EMBRAPA e consiste no plantio de uma safra de verão, e quando estiver para colher essa safra, joga as sementes para o pasto e ao fim da colheita tem a área formada para entrar com o gado, tendo duas lavouras por ano”, disse. O sistema também promove a recuperação de áreas de pastagens, integração de diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia, reduzindo o uso de agroquímicos e a abertura de novas áreas para fins agropecuários. “Isso está mudando a geopolítica agrícola e pecuária da região de maneira espetacular, pois pode-se dobrar a produção nas áreas já disponíveis”. Esse programa é um trunfo do governo brasileiro, pois está sendo apresentado aos lideres mundiais durante a convenção do clima que está realizado em Paris, a chamada COP 21.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Salto Necessário
Na conclusão de sua palestra Rodrigues chamou a atenção de que é preciso uma ação de Estado para fomentar e alavancar a agricultura do Brasil, citando alguns pontos estratégicos que não depende do ministério de agricultura, lembrando questões institucionais como “infraestrutura e logística quem cuida é o ministério dos transporte, quem cuida de renda é ministério da fazenda, planejamento, BNDES, Banco Central e quem cuida de política comercial no Brasil é Itamaraty. Existem tantos ministérios e agências cujo instrumentos de política agrícola são por eles dominados que somente uma estratégia envolvendo o governo, o parlamento e a sociedade para compreender a importância do setor rural para o país como uma área competitiva e eficiente. Para que isso aconteça quem está ligado ao setor agrícola tem que se comunicar melhor, os números estão do nosso lado e a sociedade está começando a olhar de modo mais positivo o setor. Isso é essencial pois, não há política pública se a sociedade for contra. Então, estou começando achar que é possível ter uma estratégia para a agricultura que nos permita dar o salto necessário. A última estratégia integrada que aconteceu no país foi em 1974. Então, a esperança que tenho é que aconteça uma estratégia do Estado e que ministério da agricultura coordene essa política pública e pra isso é fundamental que o setor rural se organize. Pra finalizar, digo que o Brasil tem um inequívoco destino que é ser o campeão mundial da alimentação, temos terras disponíveis, gente competente, tecnologia tropical e se tiver política explode o agronegócio. O mais importante, se formos o campeão mundial da alimentação, seremos o campeão mundial da paz, aí eu pergunto, existe coisa mais extraordinária que o seu país ser o campeão mundial da paz? Todo cidadão brasileiro tem que estar atento a isso, pois todo país depende do agronegócio”, assim disse Roberto Rodrigues, concluindo a palestra. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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