FILHOS DE NOSSA TERRA

Migrando, Limeirense faz sucesso como modelo

"Já perdi trabalhos aqui em Limeira porque o cliente descobriu que eu era limeirense. O casting foi feito em São Paulo. Eles haviam gostado muito do resultado ma” quando eu disse que os conhecia, nunca fui chamada para realizar o trabalho. Eu adoro minha cidade, valorizo tudo o que é daqui, sou pé vermelho, mas não consigo trabalhar aqui".

Edição 163 - Janeiro 2015

Foto:Arquivo Pessoal
Dhyana Alvoredo, limeirense, moradora do bairro dos Frades, modelo a 7 anos.
Dhyana Alvoredo, limeirense, moradora do bairro dos Frades, está na carreira de modelo a 7 anos, começou aos 18 anos. Iniciou quando um amigo pediu a sua participação num desfile de noivas. "Não queria ir, não gostava, não era vaidosa, nunca havia usado maquiagem, tampouco salto alto. Nesse evento conheci a organizadora do Miss Limeira. Insistiram na minha participação em 2006, fiquei na 6ª colocação. Uma participante me disse pra insistir porque eu tinha talento, quiz me apresentar pra agência de modelos dela. "Eu modelo? Contei pra minha mãe, que afirmou querer me levar pra teste desde criança, me incentivou", conta.

A agência a inscreveu no concurso "Tic Tac Mega Model", foi selecionada de Limeira, da regional e aí foi pra São Paulo. "Fui morar em São Paulo em 2007, durante 3 anos em apartamento de modelos. Nunca havia pego ônibus sozinha. No máximo pra ir pra escola e de lá pro vôlei na cidade", conta. A The Agency One deu todo suporte. Em São Paulo a Agência Mônica Monteiro (a Agência que descobriu Gisele, hoje não existe mais), deu uma lista com 4 testes em regiões diferentes de São Paulo, ao pedir ajuda a uma modelo, a mesma disse para discar 156 para se informar. Dhyana mantinha uma folha enorme de anotações de todas as linhas de ônibus. Hoje em dia revela que circula melhor em São Paulo do que em Limeira.

Na época, a remuneração por desfiles era de R$ 200,00 por trabalhos, pra alguém que vendia lingerie e faturava R$ 150,00 mês, foi incentivador. "No começo, o que me encantou foi o dinheiro. Hoje em dia sou apaixonada pela minha carreira. Uma época deixei de modelar pelas dificuldades de morar com pessoas estranhas, meu namorado implicava, pensei em me dedicar a carreira de nutrição, não conseguia ficar longe da minha família e de meu bairro que amo tanto, sou pé vermelho", conta. Acabou voltando depois de um ano de reflexão. Com foco, fez casting em outra Agência de São Paulo. "Morei com as melhores pessoas as quais mantenho amizades até hoje". Fez grandes trabalhos, campanha Dafra, comercial Estomazil; Charlie Brown; até aparecer oportunidade pra trabalhar na China. Nesse meio, para uma modelo ser considerada profissional é quando realizou trabalhos no exterior pelo menos algumas vezes. As propostas de trabalhos tem duração mínima de três meses. A agência brasileira negocia a modelo com a agência do exterior e fatura em cima dos trabalhos contratados.

Foto:Arquivo Pessoal
Fez grandes trabalhos, campanha Dafra, comercial Estomazil; Charlie Brown; até aparecer oportunidade pra trabalhar na China

O mercado é cruel

Quando pergunto o quanto, a resposta imediata é sobre o peso. Dhyana tem 1,74 m de altura, peso 58 kg, revela que se pesasse 53 kg, teria muito mais trabalho. Faz academia todos os dias. "A cabeça tem que estar focada pois muitas meninas ficam loucas (de tomar remédios), anoréxicas e bulímicas. O trabalho é inconstante, em outubro não realizei nenhum trabalho. É difícil porque hoje você faz um trabalho muito legal, amanhã acorda e não tem trabalho”. O contrato pode ser quebrado se a modelo engordar, não trabalhar, se a Agência do exterior não oferecer o que consta no contrato como transporte, estadia; composit (cartão de visita) nos castings. São muitos testes, mais de 10 por dia, o trabalho fora do país é muito intenso e cansativo.

Viajou pra China sem falar inglês, emagreceu 5kg por não conseguir se adaptar ao clima, asseio, contato com falta de higiene dos chineses de uma forma geral. Mesmo assim cumpriu contrato e sua primeira experiência fora do Brasil. "Tinha muito nojo de tudo. Minha mãe diz que mandar uma filha pra China é melhor que mandar pro exército. Desde o aeroporto já se percebe o odor da China. As pessoas não escovam os dentes, não usam antitranspirantes e tomam banho de vez em quando; são estúpidos e intolerantes com o outro", conta. Em janeiro de 2013 foi para o México, as propostas foram de comerciais de TV para a Chrysler do México; Avon; Coppel departamentos; fotos de beleza Arabella; Amway.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Na chegada do México veio rapidamente a proposta de trabalho na Turquia. "Não consigo tomar atitudes em relação a sair do país sem falar com meus pais, eles sempre me surpreendem incentivando", conta. Istambul tem uma cultura forte, na chegada a agência orienta sobre os limites da tolerância com turistas. As mulheres usam a burca, a turista não precisa, mas evitar usar shorts, chinelos, senão corre o risco de ser apedrejada, estuprada ou sequestrada. "O calor é de 42º e ninguém vai à praia porque fizeram o planejamento de forma a não dar acesso para banhos de mar", lamenta.
Foto:Arquivo Pessoal







No comercial acima, direcionado a países de língua turca, da marca Setrms, anunciando o nome Anadolu, da coleção de roupas outono/inverno 2014, tem os dizeres "Hayırlı Cumalar”, que ao pé da letra significa 'sextas-feiras com bondade’. É uma frase comumente usada às sextas-feiras para cumprimentar as pessoas no início e no final das conversações, pois sexta-feira é um dia especial para os muçulmanos, além da conotação religiosa. Mas mesmo se você não é um muçulmano pode dizer "Hayırlı Cumalar”, como uma experiência cultural, quando você se encontra, por exemplo, com um funcionário da uma loja ou pessoas nativas. Provavelmente eles terão o prazer de ouvir essa frase de um estrangeiro, e você irá gostar de assistir os rostos surpresos dos muçulmanos!
Sobre o tráfico de pessoas, Dhyana diz não conhecer nenhum caso e que a receita pra não cair em roubada é uma só: pra conseguir ganhar bem é preciso trabalhar muito, portanto se a proposta é tentadora, pode ser de risco.
"Nesse meio somos muito unidos, principalmente para aqueles que saem do país, os brasileiros se ajudam muito lá fora. Quando estava no México, uma amiga foi atropelada por um ônibus, teve um desvio na coluna, fez uso de colete. Nós brasileiros no México, nos unimos para cuidar dela, por revezamento. Fazemos muitos vínculos. O difícil é dizer tchau. Tenho uma amiga russa e nos encontrarmos é muito difícil pela distância e custos”, disse. Para manter a amizade com a amiga argentina que está na Tailândia, com a peruana, a carioca e a catarinense, “são horas incontáveis de skype", celebra.autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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