ALIMENTAÇÃO

Movimento slow food em Piracicaba

Seminário de Biodiversidade Alimentar e Agroecologia debate sobre novas formas de alimentação e consumo saudável, responsável e sustentável. Realizado na Esalq, em Piracicaba, pelo Instituto Terra Mater que trouxe Mariana Moronna, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gastronomia Unimep, uma das criadoras do Gastro Roça, expôs sobre “Experiências e potencial da biodiversidade alimentar”.

Edição 182 - Dezembro 2015

Cozinheira engajou-se no movimento Slow Food
Slow Food, trata-se de um movimento sem fins lucrativos que promove a preservação de saberes tradicionais ligados à cultura alimentar
Há 15 anos, o Instituto Terra Mater desenvolve trabalhos e projetos relacionados à sustentabilidade ambiental, produção e consumo responsável, segurança alimentar e cultura local. A realização do Seminário de Biodiversidade Alimentar e Agroecologia, no mês de novembro,na Esalq,vem como uma oportunidade de compartilhar com a comunidade o acúmulo de experiência e conhecimento adquirido pela Instituição, bem como conectar e ampliar a rede de relacionamentos construída a partir do debate sobre novas formas de alimentação e consumo saudável, responsável e sustentável.

O Seminário teve como objetivos promover uma nova cultura alimentar que valorize alimentos da flora brasileira, produzidos localmente, bem como a promoção de conceitos, ideias e inovações que podem ser utilizadas diariamente pelo cidadão comum no que diz respeito à alimentação e preservação do meio ambiente.

Gastro Roça
Mariana Moronna, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gastronomia Unimep, uma das criadoras do Gastro Roça, expôs sobre “Experiências e potencial da biodiversidade alimentar”. Desde a graduação, a cozinheira engajou-se no movimento Slow Food, trata- se de um movimento sem fins lucrativos que promove a preservação de saberes tradicionais ligados à cultura alimentar. Nasce no norte da Itália, na região de Piemonte, como um contraponto à instalação de uma unidade do Mc Donald's numa comunidade tradicional, reconhecida pela produção local de vinhos, queijos, embutidos com uma cultura alimentar muito forte. “A comunidade se viu ameaçada com a presença da rede fast food e resolveu organizar uma mobilização contrária promovendo uma macarronada em praça pública, desta forma, conseguiram mobilizar e impedir que o fast food se instalasse", conta.

O movimento evoluiu e hoje vai muito além de combater o consumo de fast food. “Promove uma reflexão do que a gente consome, de onde vem os alimentos. O tripé do movimento é a aproximação do consumidor, o chef de cozinha e a Academia. A aproximação do chef com a produção de alimentos é a melhor forma de agregar valor gastronômico a ingredientes não convencionais - a grande tendência da gastronomia mundial. Os chefs premiados tem promovido o uso de ingredientes regionais que não encontramos nas prateleiras dos supermercados. Os restaurantes renomados tem hoje em sua equipe profissional da área da botânica, responsável por identificar no entorno do restaurante ervas, folhas, frutas não convencionais para o desenvolvimento dos pratos. Desse trabalho já foi possível o resgate de novos alimentos desconhecidos, caído no desuso, promovendo o resgate do consumo oferecendo novas possibilidades para o público. Alimentos como inhame, taioba, vinagreira, ervas, flores já são cultivados no mesmo local dos restaurantes”, conta.

Piracicaba tem um convívio com Slow Food desde 2005, ocorrendo várias ações como a degustações em parceria com o Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba) e produtores na promoção de pratos com plantas não convencionais como caruru, taioba, beldroega, cerralha. “Essa experiência encantou pela reação das pessoas quanto a apresentação dos alimentos não convencionais, sempre recorrendo a memória, ligando o alimento não convencional a pessoas afetivas. Quando entramos em varejões encontramos poucas opções de folhas, o que parece não incomodar o consumidor que passa o ano todo comendo a mesma coisa com uma variedade imensa de possibilidades de sabores. As pessoas continuam sem reação diante de iniciativas muito próximas como redes de consumo", explica.

Atualmente o movimento Slow Food de Piracicaba está com espaço no Art Decor. “Ainda trabalhamos com a ideia de resgate, pois o evento está acontecendo num espaço que até então estava abandonado e hoje se apresenta revitalizado. O Gastro Roça está naquele espaço semanalmente oferecendo produtos da agricultura familiar”, explica. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Aproximação do consumidor, o chef de cozinha e a Academia
Promover uma reflexão do que a gente consome, de onde vem os alimentos. O tripé do movimento é a aproximação do consumidor, o chef de cozinha e a Academia

Uma parceria de trabalho com a cozinheira Michele Maia levou Mariana ao objetivo de promover o Gastro Roça e aproximar produtores rurais e chefs de cozinha. “Foi catalogado produtos num raio de 40 km de Piracicaba; frutas, queijos, cogumelos, hortaliças, derivados de leite. Os ingredientes do cardápio foram todos adquiridos da agricultura familiar com exceção do sal e azeite. Promovemos a produção da agricultura familiar apresentando aos produtores a demanda dos chefs de cozinha com o intuito de que não produzam somente alface lisa ou crespa e que possam perceber a demanda de variedades sazonais de ingredientes", explica. Para as cozinheiras o grande feito era que os produtores rurais sentassem à mesa com os chefs durante o almoço e que a partir daí estabelecessem a parceria. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Segundo Mariana, a Feira da Agricultura Familiar será inaugurada em abril/2016, na capela do Monte Alegre, um espaço com música na capela. “Pensamos num dia dedicado à família. O movimento Slow Food tem esse propósito de fortalecer as relações em torno das refeições, pois, acreditamos que a comida agrega e aproxima as pessoas”, conclui. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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