HORTICULTURA

Produtores Viva Pires visitam
plantio modelo de hortaliças em Campinas

A propriedade escolhida pertence a Antônio Cabral Ramos, o seu Toninho Cabral, é o sítio Monte Belo que está localizado no bairro rural Carlos Gomes no extremo norte de Campinas, próximo a Jaguariúna.

MARÇO 2014 - Edição 148 - FOTOS:Marcel Menconi

Produtores Rurais durante palestra sobre boas Práticas - Foto:Marcel Menconi

Através de um convite feito pela chefe da Casa de Agricultura de Limeira, Carla Maria de Meo, ao grupo de produtores da Associação Viva Pires foi realizada uma excursão até a cidade de Campinas em uma propriedade modelo que vem cultivando hortaliças há 30 anos. Juntamente com o grupo estavam o Secretario de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Limeira Alquermes Valvassori, João Fischer, presidente da APAL e Marcel Menconi, presidente da Viva Pires.

Boas práticas agrícolas
Após a calorosa recepção da família Cabral, a agrônoma Carla, discorreu brevemente, para cerca de 20 produtores presentes, sobre boas práticas na agricultura, tendo como exemplo a propriedade visitada. O círculo das boas práticas agrícolas gira em torno das recomendações tecnológicas, da melhoria continua na produção e da propriedade, retorno financeiro aos produtores, certificação e qualidade do que está sendo produzido. Foi entregue aos presentes um protocolo (cartilha), elaborado pela CATI, explicando o passo a passo sobre boas práticas com a finalidade de produzir alimentos seguros. Para ela, o protocolo “é uma lista a qual o produtor pode pensar o seu negócio desde o controle de funcionários até o manejo de resíduos da produção”. O protocolo aborda questões como gestão econômica e ambiental na propriedade, como o uso de agrotóxicos, utilização de recursos hídricos, responsabilidade social e organização rural através de temas como saúde e higiene, educação, moradia, previdência social, relações de trabalho e a participação em cooperativas e associações e o diferencial de cada produtor. “Isso é pra fazer os produtores pensarem em rever práticas ou buscar novas formas de executar tarefas. Os objetivos das boas práticas são proteger a saúde do trabalhador e do consumidor de doenças ou injúrias físicas. Garantir que o produto agrícola seja adequado para o consumo humano. E também para manter a confiança nos produtos agrícolas pelo mercado nacional e internacional”, explicou Carla.
De acordo com ela, “boas práticas é um círculo virtuoso que nunca acaba. É oferecer aos consumidores alimentos seguro. Para os governos é uma forma e medidas de proteção ao consumidor e para as indústrias e para os produtores estabelece regras mais honestas de produção e ampliação de mercado. Isso pode servir para a elaboração, no futuro, de uma certificação participativa da associação e explicada ao consumidor”, disse.

O descobrimento de Cabral
Em seu depoimento, Toninho Cabral, o proprietário, falou que tinha uma atividade extremamente intensa na área de 14 alqueires, onde utilizava metade plantando alface para entregar no CEAGESP em São Paulo. “Diariamente entregava 1000 pés de alface. Saiam daqui um frete de manhã e outro a tarde só para abastecer o CEAGESP. Aí chegou um momento que eu não conseguia produzir mais nada, tinha uma infinidade de doenças nos canteiros e estava pensando em desistir dessa área, quando percebi que minhas atitudes tinham que ser mudadas no manejo da produção, isso foi em 2000. Com a ajuda do agrônomo Ricardo Mikami, resolvemos diminuir a área plantada, comecei a fazer rotação de culturas e passei a usar o adubo biológico para recuperar a vida do solo. Saí da quantidade para a qualidade”. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
sítio Monte Belo, Campinas,  Foto: Marcel Menconi
Passo a passo: “A segurança dos alimentos é o controle de
todas as etapas desde a produção até a mesa do consumidor”.

Biológicos
O agrônomo Ricardo Mikami, orientador técnico da produção do seu Toninho Cabral, estava presente e relatou sobre o uso de adubos biológicos para o plantio de hortaliças. Ele falou que o manejo desse produto significa mudar toda a rotina de trabalho, pois “o produto biológico tem organismos vivos, portanto, temos que dar condições de ambiente para eles se desenvolverem e ajudar no crescimento das plantas. Se não seguir certos procedimentos não adianta aplicar. Existe uma realidade em todas as culturas, o solo está ficando desgastado. Com o passar do tempo o solo está cada vez mais adubado, por causa da frequente pulverização, causando o desequilíbrio e falta de vida no solo”. O uso de produtos biológicos vem recuperar esse desgaste do solo, juntamente com a rotação de cultura, e basicamente nas plantas os produtos são para enraizamento, aminoácidos durante o ciclo da cultura e outros 12 produtos são microrganismos (bactérias e fungos) e fertilizantes minerais. Eles vêm em pó e são diluídos em água, é preciso coar com um pano, pois alguns são insolúveis e o resultado é pulverizado no canteiro.
Ricardo disse que o mercado está ficando cada dia mais exigente é necessário profissionalização e planejamento além de rotação de cultura e adubos biológicos, o preparo e embalagem das hortaliças, limpeza dos locais de armazenamento e outros cuidados devem ser tomados. “Uma hortaliça de boa qualidade vende 10 caixas, de qualidade ruim vende duas. Lógico que existe mercadinhos populares que o preço é o que conta, mas o produtor tem que procurar mercados mais elitizados para não entrar na questão de volume de produção, porque perdemos toda vez, pois a região de Mogi das Cruzes é forte e bate nossa região. Temos que encontrar na qualidade, na colheita bem feita e na pontualidade da entrega nosso caminho”, orientou.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Visitantes
Na propriedade foi possível conhecer os canteiros de hortaliças e seu modelo de produção, o barracão de recepção, embalagem de transporte e câmara fria. Toninho Cabral também mostrou as estufas do modelo hidropônico e algumas benfeitorias que está executando, como o tanque reservatório com capacidade de 12 mil litros. Para os produtores de Limeira a visita foi muito positiva, pois dedicaram um tempo para absorver conhecimentos e experiências. Para Luciano Dainese e Oscar Sass a tecnologia do produto biológico chamou a atenção por ser uma novidade. “Aqui tem os mesmos tipos de hortaliças que planto, tem o mesmo tipo de mato e vejo que a produção está excelente, só pode ser esse cuidado todo, desde a adubação até o plantio de milheto que é incorporado aos canteiros, o resultado positivo”, falou Luciano. Laércio Bueno e Guilherme Herget concordam sobre boas práticas na agricultura. “Eu acredito que a única coisa que dê um equilíbrio de preços justo ao produtor seja através de boas práticas, porque ela vai funcionar como um radar, se um produtor se enquadra no protocolo ele não toma pontos na carteira e seu produto tem um valor maior em relação aquele produtor que é relaxado e tenta colocar o preço lá embaixo. Isso é muito bom, porque eu terei como mostrar aos meus clientes que estou de acordo com as exigências do consumidor”, definiu Guilherme.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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