RESGATE CULTURAL

O Carro de boi

Homenagem a Zé Barbosa que mantinha tradição em participar das romarias com seu carro de boi

Edição 31 - Dezembro 2006

Tradições em participar das romarias
Zé Barbosa com os bois “Palácios e Passeio”
Chega dezembro, as festas de peão e as romarias vão diminuindo. Sobra a saudade e as lembranças dos eventos ocorridos durante o ano. Zé Barbosa é um senhor que mantém tradições em participar das romarias. Vai, em seu carro de boi todo enfeitado, com os bois “Palácios e Passeio” pelas ruas da cidade.

Nascido e criado no bairro Córrego Bonito, próximo ao bairro dos Frades, seu Zé tem um carinho especial por cuidar desses animais. Desde criança vinha com seu pai no carro de boi para o centro de Limeira, foi aprendendo algumas “manhas” para lidar com a criação. Naquela época, usava-se os animais no trabalho da roça e também para transporte. Hoje, ter os bois é um hobbie, pois gosta de participar de exposições, festas e romarias.

Os bois que cria são da raça “girolanda” que vem do cruzamento de duas outras raças, a gir e a holandesa. Eles são gêmeos e têm oito anos. “Peguei eles bezerros, de um vizinho. Uma noite ele me disse que ia largar e estava num rancho. No outro dia cedinho eu fui buscá-los. São iguaizinhos. É difícil conseguir gêmeos assim. Às vezes a cor sai diferente um do outro ou sai casal”, conta Zé Barbosa. Sobre as manhas seu Zé fala que quando usava os bois na lida do dia a dia, era mais rápido de adestrar, “Quando são pequenos já vou preparando, travo, amarro um no outro, e vão se acostumando andarem juntos, coloco a forquilha e ando entre os pés de laranjas, ensinado, puxando, aos poucos vão aprendendo e acostumando com a voz da gente. Para pegar os bois tem que ir devagar, falando, agradando, a molecada de hoje chega chutando, num pega”, ensina.
Certos objetos colocados nos bois são apenas enfeites, adereços puramente vaidosos da parte do vaqueiro. Como exemplo, as argolas nas narinas dos bois, é de aço inox e são apenas colocadas não são “piercing”, não furam os bois. São enfeites. Os bois do seu Zé não têm preço. “Teve um boi de estimação que abri a boca e me levaram. Tive que esconder os netos pra não ver levar. O boi foi dois anos seguidos na festa de peão de Barretos, ganhou em segundo lugar lá, era de pulo”.

Sobre o carro de boi que ainda conserva, conta que comprou usado, não precisou de muita manutenção, só aperto das rodas que estavam com “jogo”. Como participa de todas as romarias que fica sabendo, sempre tem alguém interessado nele para enfeitá-lo e usar em festas e casamentos, “no aniversário de 50 anos de Holambra, também participei, eles enfeitaram bem o carro, ficou uma beleza”, declara seu Zé. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
Zé Barbosa desde criança vinha com seu pai no carro de boi para o centro de Limeira
Em Artur Nogueira sem um carro de boi não existe romaria completa. Os netos de Zé Barbosa em cima do carro de boi, gosta de passar seus ensinamentos para os netos que têm o prazer em aprender com o avô as sábias lições

Conseguimos encontrar seu Zé Barbosa em seu sítio onde cultiva laranja, mandioca e alguns cereais “para o gasto”. Uma pessoa muito importante por manter suas tradições e vaidades, ele está passando seus ensinamentos para os netos que têm o prazer em aprender com o avô essas sábias lições.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
É com sentimento de muito pesar que ficamos sabendo do falecimento de Zé Barbosa. Gostaríamos de expressar nossos sentimentos a toda a família e homenageá-lo publicando em nosso site a reportagem que fizemos com ele no ano de 2006. Obrigado Zé!! Teu apoio foi muito importante para nós! Dezembro, 2015. Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
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