Na noite do dia 26 de maio na Comunidade Rural Santa Cruz aconteceu a primeira celebração de 2026 com o padre Reynaldo Ferreira de Melo, uma celebração especial e muito esperada por todos: a entrega da reforma da igreja.
A última celebração na comunidade aconteceu em dezembro de 2025 e, desde então, o prédio da igreja passou por reforma – um anseio muito grande por parte dos fiéis e moradores do bairro, pois a degradação do espaço já havia comprometido a área externa onde eram realizados as confraternizações e eventos. Há mais de dez anos não ocorria melhorias nas instalações da comunidade.



“A intenção maior da celebração de hoje é inaugurar a capela reformada. É um sonho da comunidade. Um sonho da turma do bairro que via tudo (a igreja) muito feia. Aqui, hoje não tem palavras! Você vê que claridade, que mansinha que ela ficou! Está muito aconchegante”, disse Vera Benvenutto de Oliveira.
A entrega de um espaço físico bonito, agradável e funcional para que a comunidade volte a se encontrar e desfrutar do que é seu com dignidade revelou a satisfação e alegria pela vitória conquistada.
A comunidade centenária tem um papel importante em manter a tradição da procissão para pedir chuva no mês de setembro, quando os fiéis saem daquele local e percorrem, a pé, o trajeto até o bairro Piraporinha, em Conchal (SP). Desta comunidade também sai uma outra procissão na madrugada do dia 12 de outubro.
O grupo da coordenação da procissão trabalhou junto com a comunidade para mobilizar pessoas dispostas a se juntar pela causa e viabilizar a reforma necessária. “Teve a procissão da Piraporinha, daí saiu o assunto de reformar a capela e aí nos incentivou, sabe? Nós recebemos bastante doações e fizemos muitas rifas e conseguimos o dinheiro pra isso. O serviço do pedreiro foi pago. O pintor doou o seu serviço, foi voluntário. Uma senhora doou a mão de obra da pintura dos vitrôs”, destacou Vera.
Gisleni Boer do Prado expressou o sentimento: “Foi uma luta, mas foi uma grande conquista. Era um anseio muito forte da comunidade essa reforma. A gente imaginava que não ia conseguir porque não tinha um local pra fazer festas e arrecadar fundos. As pessoas que residem no bairro são poucas. Mas graças a Deus! Fomos à luta e conseguimos. E, graças ao emprenho de muita gente que ajudou, foram muitas doações. Eu fiquei com a parte de arrecadação de prendas pra fazer as rifas (dez rifas), divulgar, pedir doações (quinze pessoas doaram). Fomos fazendo e fomos conseguindo”.

Ela conta que as pessoas abordadas pela causa ficavam surpresas com a reforma. “Ficavam surpresas porque elas imaginavam que a comunidade ia acabar, que isso ia ficar por isso mesmo. Que ninguém ia ter coragem de lutar. Porque pra arrecadar o valor que foi arrecadado, foi suado. E graças a Deus, todos entenderam a situação da comunidade e todos ajudaram. É muito gratificante você ver tudo pronto, porque é uma luta”, disse.
O fato da comunidade não ter recebido investimento para manter as instalações afetou a participação da população local e adjacente em frequentar os eventos porque deixaram de acontecer. Desta forma, mesmo com as celebrações a comunidade foi deixando de ser lembrada pela realização dos eventos e tradições, salvo a permanência da tradição da procissão coordenado pelo grupo de mulheres que continuam levando adiante, fortalecendo a participação.
“O padre Reynaldo tem a intenção de voltar a fazer os eventos e vamos ajudá-lo. Queremos agradecer ao povo que veio e lutou junto. Tem aqueles que não aparecem, mas estão juntos, dispostos pra dar uma força pra gente. Foi muito gostoso essa união porque as pessoas do bairro entenderam. O povo voltou a se encontrar, coisa que não tinha mais acontecido. Agora vamos lutar pra trazer o povo de volta pra comunidade. Acredito que devagar tudo vai se encaixando”, afirmou Gisleni.

Rita de Cássia Batista Moraes, morava na comunidade e mudou-se para outra cidade, atualmente faz parte do grupo de mulheres que coordena a procissão. “Foi maravilhoso participar desse movimento pela reforma porque eu não tinha vindo aqui durante o período das obras e quando eu cheguei hoje, vi essa capela reformada, decorada e cheia. É uma grande realização, por cada um que ajudou e colaborou. Agora, o anseio é sentar com eles e ver quais são os próximos eventos e ações pra comunidade se manter de pé e viva”.

Padre Reynaldo expressou a sua alegria durante a celebração.
“Estamos felizes pelo esforço, por tudo que nós vivemos nesses últimos tempos com bastante trabalho e correria. Mas foi uma alegria! Agora, colher esses frutos de reformar e trazer como era a nossa Comunidade de Santa Cruz. Por isso mesmo, nós vamos fazer o sinal da cruz. Tudo o que estamos conseguindo vem do trabalho, do esforço e do amor das pessoas. Que Deus recompense a todos, por estarmos aqui, hoje, começando esse ano de 2026 nessa alegria. Que Deus abençoe a todos que colaboraram. Que Deus abençoe esse lugar, aqui já é abençoado porque já celebramos muitas vezes aqui – não há a necessidade de uma nova benção. Esse lugar é mais que abençoado. Sabem por que? Porque vocês estão aqui, todos nós merecemos porque somos morada do Espírito Santo. Cada um aqui é morada do Espírito Santo, por isso esse lugar está mais que abençoado. Vamos seguir em frente e pedir a Deus que nos ajude a caminhar como comunidade”.







As obras na área externa ainda não estão concluídas e a comunidade ainda precisa de doações. “Agora ganhamos um porquinho e vamos fazer mais uma rifa, com o objetivo de concluir o acabamento no muro. Vamos terminar e futuramente se houver uma equipe de festas o espaço poderá ser usufruído”, concluiu Gisleni.
Quem estiver disposto a fazer doações entre em contato com a paróquia São Pedro de Engenheiro Coelho (SP). As celebrações acontecem na Comunidade Santa Cruz toda terça-feira da terceira semana do mês, às 19h30.
